Privatizações sem limites, redução de direitos do trabalhador e independência do BC são uma fórmula desastrosa.
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Brasil Debate

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Douglas Alencar

É professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA)

 
Douglas Alencar

As consequências econômicas de Jair Bolsonaro

Num eventual governo do candidato do PSL, o mercado interno sofrerá ainda mais com o colapso do consumo e investimento. A política fiscal, hoje de joelhos, estará morta e protestos serão reprimidos com violência

17/10/2018

O plano econômico de Bolsonaro apresenta três pilares, que não são explicados em sua exaustão no plano de governo do candidato, mas indicam o caminho para a economia brasileira sob a sua gestão. Os três pilares são i) a privatização sem limites; ii) a redução dos direitos do trabalhador (a Carteira Amarela), e iii) a independência do Banco Central do Brasil. O conjunto dessas políticas irão agravar a crise econômica brasileira, que levará ao caos as grandes cidades, e irá impactar negativamente a vida da população mais vulnerável.

Em relação às privatizações, baseadas em um neoliberalismo arcaico, o plano é vender todas as participações do Estado Brasileiro nas empresas estatais, que inclui o sistema Eletrobras, Petrobras etc. A crença que existe é de que a venda das participações nas estatais será suficiente para amenizar substancialmente o déficit orçamentário do Estado. Ocorre que nos processos de privatizações, em raros casos pode garantir boas vendas. Durante o governo do FHC a Companhia Vale do Rio Doce foi vendida por US$ 6 bilhões, e poucos meses depois estava valendo no mercado U$18 bi.

As vendas das participações das empresas impactam negativamente o valor de mercado dessas empresas. O entendimento básico sobre os conceitos de oferta e demanda nos mostram que quando a oferta de um determinado bem aumenta, de forma geral os preços desse bem caem. Imaginem a participação do Estado Brasileiro sendo ofertado na bolsa de valores. Quanto mais o Estado vende as suas participações, mais o valor das ações irá cair. E depois que o governo vender todas as suas participações em todas as estatais, o valor conseguido não irá ser suficiente para reduzir substancialmente o déficit fiscal.

Se por um lado a transferência dos recursos do Estado para a iniciativa privada não irá resolver os problemas do governo, por outro, os trabalhadores serão coagidos a aceitar os a Carteira Amarela, “onde o contrato individual prevalece sobre a CLT” (Plano de Bolsonaro 2018). Como os contratos individuais irão se sobrepor à CLT, o 13º salário será suprimido, assim como a multa para demissões, garantias básicas para gestantes etc. Essa situação irá agravar o consumo, reduzindo o poder de compra dos trabalhadores, e reduzindo, ainda mais, o mercado interno, agravando a crise, e a situação do trabalhador brasileiro.

Finalmente, o terceiro e último ponto é relativo à proposta do Banco Central Independente. Essa proposta que já foi rejeitada na Europa, que não é mais discutida por macroeconomistas europeus ou nos Estados Unidos é um dos pilares do plano econômico de Bolsonaro. O maior problema do BC independente é que em situações em que o seu presidente esteja realizando políticas que possam ser desastrosas, o Presidente da República não poderá substituí-lo. O fato de o Banco Central do Brasil (BCB) ter autonomia, mas não ser independente, salvou o país na época que Gustavo Franco, durante o governo de FHC, insistia em manter a taxa de juros Selic próxima a 50% para manter a taxa de câmbio fixa. Graças ao fato de o BCB ser autônomo, e não independente, FHC pôde substituir o presidente do BCB, e o país não quebrou. Um BCB independente, que poderá aumentar a taxa de juros Selic o quanto desejar, poderá reduzir tanto o investimento, e consequentemente a demanda agregada, como, literalmente, fazer sumir o prato de comida da mesa do brasileiro.

Serão nefastas as consequências do plano de Jair Bolsonaro para a economia brasileira. O mercado interno sofrerá ainda mais com o colapso do consumo e investimento. Soma-se a isso a inoperância da política fiscal, que se hoje está de joelhos, estará completamente morta durante um eventual governo de Bolsonaro. Diante da insatisfação da população, o autoritarismo que já é comum do candidato irá levá-lo a suprimir protestos com banhos de sangue. As consequências econômicas e sociais de Bolsonaro irão transformar o Brasil, finalmente, na Venezuela.

Crédito da foto da página inicial: Agência Brasil

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3 respostas to “As consequências econômicas de Jair Bolsonaro”

  1. Roger Menezes disse:

    Professor Douglas,

    voce aprendeu economia em qual escola. do PT ???

  2. Carlos disse:

    O autor tem talento para comédia. Primeiro que a essa altura do campeonato (17/10/2018) falar em EVENTUAL governo do candidato do PSL é para rir logo de cara. “Eventual” só para o autor… Mas seguimos continuando a leitura… “o mercado interno sofrerá ainda mais com o colapso do consumo e investimento”. De que sinais tirou essa previsão? Dentre as opções que sobraram para a presidência, qual delas logo de cara assusta mais o mercado: PT ou PSL? Dois governos Lula (PT) seguidos, depois um governo Dilma (PT) seguido de outro Dilma/Temer (PT/MDB) e qual a situação do país depois desses 4 governos seguidos? Alguém me mostre que o saldo é bom? Aliás, o nome do partido é PT = partido dos trabalhadores e, no entanto, o desemprego atingiu níveis estrondosos, como aceitar isso? E para não ficar falando só de PT, os partidos que dominam a política há tempos estão completamente envolvidos em corrupção, sujos até o último fio de cabelo… Todos os figurões acusados, condenados e presos. O povo cansou, esses partidos dominantes (PSDB, PT, MBD) foram massacrados nas urnas… Vamos ser francos, o Jair Bolsonaro sobe nas pesquisas, o dólar cai, a Bolsa também responde. Ou seja, não terão consequências nefastas e nem colapso nenhum num POSSÍVEL governo do candidato do PSL, que se chama Jair Bolsonaro, acostume-se com esse nome hahaha. Sim, eu sei, o Jair Bolsonaro não é nenhum mito, muito menos herói, fala algumas besteiras e não domina nada de economia, mas e o Lula? e a Dilma? Dominavam o quê? Muito menos ainda e venceram duas eleições cada um. Por sorte, ainda estamos aqui… Então, vamos dar uma chance, como demos aos outros. Não percam seu tempo lendo textos bem escritos mas cheio de informações fantasiosas como este aqui. Ainda por cima assinado por um professor de faculdade. ISso é uma vergonha. Forçar argumentos que não se justificam. No texto o autor sugere que as privatizações não terão limites (mentira, claro que terá limite,, até porque não dá para privatizar tudo) e afirma também que as privatizações são algo negativo porque vai derrubar o valor das ações das estatais. Derrubar mais ainda né? Porque o valor já está caindo sem parar com a péssima administração do governo. A Petrobras é o maior exemplo disso. Parou de piorar nas mãos do governo Temer, olha que vergonha. Do Temer? Outro bandido. Então, chega de apontar. Ainda mais com projeções fake como essas. E sobre o “perigo” de um Banco Central independente, será? Ou será que o mercado pode se auto regular? Interessante usar o passado para citar que O FHC conseguiu salvar o país, embora não bem explicado mas bem lembrado. Sobre a carteira de trabalho verde e amarela, acostume-se. Este país precisa empregar pessoas e essa forma é uma ótima maneira para acelerar esse movimento e corrigir os erros dos últimos governos. Um abraço a todos.

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Comentários