Façamos coro ao pedido de Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, professora da Universidade de São Paulo (SP).
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Wagner de Alcântara Aragão

É jornalista e professor. Mestre em estudos de linguagens. Licenciado em geografia. Bacharel em comunicação. Mantém e edita a Rede Macuco

 
Wagner de Alcântara Aragão

Máscaras (PFF2 ou N95) para o transporte público já!

A partir de experiência bem-sucedida em Goiânia, urbanista Raquel Rolnik defende que essa proteção facial seja distribuída gratuitamente a trabalhadores e passageiros, em todo o país

16/04/2021

A experiência vem sendo adotada em Goiânia desde o início de março e, agora em abril, é reverberada em forma de pedido pela arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo (USP).

Não podem passar despercebidas, nem a iniciativa goianiense nem a recomendação da especialista.

Por isso aproveito este espaço para fazer coro: precisamos começar a fazer já a distribuição das chamadas máscaras PFF2 (também conhecidas como N95) aos trabalhadores e passageiros do transporte público urbano no Brasil.

A retomada de atividades como a educação, por exemplo, vai ocasionar uma demanda ainda maior nos sistemas. Serão professores, inspetores, merendeiras e estudantes se somando a empregados do comércio e serviços em geral – alguns que nem chegaram a parar, outros que vão funcionando conforme restrições vão sendo flexibilizadas.

Desde o início da pandemia de covid-19, são estarrecedoras as cenas de estações, trens, metrôs, VLTs, barcas e ônibus lotados em regiões metropolitanas de norte a sul do Brasil. Os órgãos reguladores e as empresas concessionárias costumam alegar que há normas limitando a lotação dos veículos. Só que ninguém se apinha na condução por desrespeito deliberado, sim porque não há outra opção.

Como assinala Rolnik, a distribuição de máscaras não é a solução definitiva. Não deve ser encarada, pois, como alternativa às medidas restritivas. Afinal, os infectologistas sérios são unânimes: a diminuição da circulação de pessoas é que freia a disseminação do vírus.

Contudo, trata-se de um paliativo capaz sim de “salvar vidas”, conforme as próprias palavras de Rolnik, em artigo no site do Labcidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. O artigo está disponível em http://www.labcidade.fau.usp.br/e-hora-de-distribuir-mascaras-pff2-no-transporte-publico/.

“Quanto isso vai custar; quem vai pagar a conta?”, se apressariam em indagar fiscalistas de plantão, como se estivéssemos a falar de gastos supérfluos, e não de investimento em saúde.

A experiência de Goiânia é, pelo que foi noticiado, fruto de uma parceria entre o Governo do Estado e uma organização não-governamental (a OVG, Organização das Voluntárias de Goiás). É fundamental a participação da sociedade, porém, dado o caráter imprescindível e estrutural da medida, a distribuição de máscaras não pode ser dependente apenas do voluntariado. Deve ser ação regular, duradoura, enquanto persistir a pandemia. As atividades econômicas que mais impactam na circulação poderiam ser convocadas a custear.

Foram 280 mil máscaras PFF2 distribuídas no transporte público de Goiânia. Elas protegem das partículas do vírus que ficam no ar, por isso são as apropriadas para o uso em ambientes fechados, menos arejado, e com considerável fluxo de pessoas. Dada a ausência de política nacional de combate à pandemia, a sugestão que fica é a de mobilização local – em instância municipal, metropolitana e estadual – para que o acesso a essas máscaras seja universalizado.

Crédito da foto da página inicial: Divulgação/Governo de Goiás

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