A assistência psicológica precisa ser universalizada o quanto antes, para que se lide com as sequelas da covid-19.
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Wagner de Alcântara Aragão

É jornalista e professor. Mestre em estudos de linguagens. Licenciado em geografia. Bacharel em comunicação. Mantém e edita a Rede Macuco

 
Wagner de Alcântara Aragão

Cidades vão precisar de mutirão de promoção da saúde mental

Uma articulação entre poder público, universidades, entidades de classe e movimentos sociais se faz necessária para universalizar já a assistência psicológica às populações urbanas

18/05/2021

A assistência psicológica precisa de ser universalizada o quanto antes, para que saiamos da pandemia de covid-19 aptos a lidar com as sequelas individuais e sociais.

Prefeituras, universidades, entidades de classe e movimentos sociais ligados à saúde, educação e assistência social poderiam, para já, se articular a fim de realizar verdadeiros mutirões para promover a saúde mental das populações urbanas.

Pacientes da doença e familiares; crianças e adolescentes; idosos; trabalhadores de serviços essenciais; desempregados, moradores de rua; a parcela mais vulnerável da sociedade, todo mundo está carecendo de terapias que recoloquem a mente em ordem.

Além de medida humanitária, para atacar um mal recorrente, a universalização do atendimento psicológico é política de prevenção também. Evita, ou minimiza, males outros, conforme os especialistas em saúde podem atestar.

Há, desde o começo da pandemia, uma série de iniciativas em curso, nesse sentido. O “Mapa Saúde Mental” é uma delas – mas há várias, tanto de organizações não-governamentais, coletivos, algumas individualizadas, e até de instituições públicas.

Ademais, temos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) uma rede extraordinária de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) pelo país.

Ou seja, já contamos com estrutura montada e mobilizações iniciadas. O que falta é a articulação necessária para que deixem de ser ações pontuais, voluntariosas, e se estabeleçam como um movimento perene.

Para além de consultórios e outros pontos de atendimento, faz-se necessária uma campanha de comunicação orientando a população sobre a importância da saúde mental e incentivando-a para a busca por assistência. Sabemos que ainda há tabus e preconceitos. Isso precisa ser desconstruído.

Estudos estão comprovando como a pandemia tem conturbado a vida da gente. Cito um, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), noticiado em março (ver aqui: <http://www.edgardigital.ufba.br/?p=19762>), e que aponta o seguinte: ansiedade e depressão passaram a fazer parte da realidade de muitas famílias, desde que a crise fitossanitária se instalou.

A pesquisa (intitulada “Saúde mental parental e regulação emocional infantil durante a pandemia de covid-19”) ouviu 69 mães e pais – a absoluta maioria (85,5%), mulheres, e com renda média de dois salários mínimos, em maior parte (60%). Mais de 70% das pessoas consultadas estavam desempregadas ou exercendo trabalho informal.

Esses dados, como se vê, por si só justificam a urgente necessidade de universalização de assistência psicológica. Na ausência de um governo central preocupado com as pessoas e a vida, a ação vai ter de ser engendrada localmente mesmo.

Crédito da foto na página inicial: Prefeitura Municipal/Divulgação. Caps em São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande Norte, ilustrando a ampla capilaridade do SUS.

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