Para o autor, o 5º Congresso Nacional do PT, que será realizado entre 11 e 13 de junho, em Salvador (BA), deveria se abrir para a discussão sobre o abandono de práticas que promoveram o desgaste do partido e formular um projeto sólido e consistente de desenvolvimento econômico e social.
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Brasil Debate

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Guilherme Santos Mello

É professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON-UNICAMP).

 
Guilherme Santos Mello

Uma nova (talvez a última) oportunidade para o PT se renovar

O PT só será capaz de reconquistar a confiança da sociedade brasileira a partir da formulação de um novo projeto para o Brasil, que fundamente o exercício da crítica honesta e ousada à estratégia atual do governo

09/06/2015

É difícil negar que o Partido dos Trabalhadores vive hoje uma das maiores crises políticas de sua história: alvejado por denúncias recorrentes de corrupção, o partido perdeu a aura de “anti-establishment” que brandia em seus anos iniciais.

Integrantes graduados da direção partidária, no afã de garantir o crescimento eleitoral da legenda e a governabilidade de seus representantes eleitos, adentraram na nebulosa seara do financiamento privado e das velhas formas de se fazer política no Brasil. Ao fazê-lo, garantiram alimento para seus adversários, que usaram e abusaram da cobertura de uma imprensa liberal, marcada pela indignação seletiva contra o partido, para construir a caricatura do “petralha”.

Apesar das agruras ligadas ao desgaste de sua imagem, o PT vinha mostrando uma enorme resiliência eleitoral e política, ligada particularmente aos enormes avanços conquistados por seus governos.

Antes mesmo de assumir o governo federal, os governos municipais e estaduais petistas já mostravam que a priorização dos mais pobres, a administração democrática e participativa e a defesa dos trabalhadores eram as marcas do partido.

Ao assumir o governo federal, a ruptura gradual com a estratégia de desenvolvimento neoliberal comandada pelos governos Collor e FHC mostrou-se bem-sucedida, promovendo a ascensão social de milhões de brasileiros ao mesmo tempo em que preservava a conquista da estabilidade de preços.

Além disso, o governo Lula, ao adotar crescentemente uma estratégia de cunho social-desenvolvimentista (apesar de preservar elementos da antiga gestão macroeconômica, em particular na política monetária e cambial), provou ser possível combinar crescimento, geração de emprego, distribuição de renda, estabilidade de preços, melhoria das contas públicas e redução da vulnerabilidade externa.

Em um cenário internacional favorável, interrompido em 2009 pela grande crise internacional, os governos do PT promoveram avanços que formataram um novo padrão de desenvolvimento para o País.

Após a eleição da presidente Dilma, no entanto, o partido parece ter perdido rapidamente sua capacidade de elaboração e atuação, vendo se diluir sua força política e seu papel de ator central da estratégia de desenvolvimento. Alimentado pelo espetáculo televisivo que foi o julgamento do mensalão, o antipetismo radical tomou força e cresceu rapidamente.

Mesmo os avanços nas estruturas e instituições de combate à corrupção promovidos pelos governos petistas foram insuficientes para convencer a maior parte da população de seus objetivos republicanos. Somado a este fator, as manifestações de junho de 2013 sinalizaram uma nova série de demandas sociais no País, para além da pauta dos avanços anteriormente conquistados.

Ao mesmo tempo em que estas novas pautas ganhavam força, a perda de dinamismo da economia nacional (oriunda de fatores conjunturais e estruturais, internos e externos) dificultou a tarefa de atender à demanda crescente por serviços públicos de qualidade reivindicados pela população. Neste cenário adverso, o PT chegou às eleições de 2014 politicamente debilitado, resultando em queda expressiva de sua bancada federal e na quase derrota de sua candidatura presidencial.

Apesar deste processo de desgaste, a reeleição de Dilma trouxe consigo uma renovada energia para o projeto petista. Mesmo com uma postura política defensiva, Dilma conseguiu se contrapor aos outros candidatos exatamente por ser a herdeira legítima de um projeto de desenvolvimento econômico e social bem-sucedido, enquanto seus opositores representavam o antigo e derrotado projeto neoliberal.

A candidatura petista de Dilma sintetizou e representou uma série de lutas que vêm sendo travadas cotidianamente na sociedade brasileira: por uma gestão econômica que priorize o emprego, a renda e a justiça social; por um Estado ativo no processo de desenvolvimento nacional; por uma inserção soberana no cenário internacional; pelo fim do preconceito e em defesa das minorias excluídas; em suma, por uma sociedade mais justa e democrática, não submissa aos interesses dos mercados ou de outras potências.

É isso que representava a figura da Dilma jovem, guerrilheira, coração valente, que não se curvava à pressão dos poderosos. É exatamente esta imagem que se esfacelou em poucos meses após a vitória eleitoral, com o anúncio do novo ministério e a adoção de uma gestão econômica abertamente conservadora, em linha com as críticas e propostas de seus adversários.

Neste cenário, o PT, já enfraquecido por outros fatores, ainda se vê obrigado a defender um governo que aplica um projeto de desenvolvimento contrário àquilo que o partido historicamente defendeu. Apesar disso, muito mais importante do que se opor ao governo ou a ministros específicos (o que soaria bastante esquizofrênico para a maior parte do eleitorado), acredito que o desafio maior do PT hoje seja elaborar um projeto alternativo de desenvolvimento nacional, que mantenha as conquistas dos governos Lula e Dilma e avance para novas conquistas sociais, estruturais e democráticas, sem abrir mão da necessária estabilidade macroeconômica.

O V Congresso do Partido dos Trabalhadores surge como a grande (talvez a última) oportunidade de o PT se renovar, abandonando de uma vez por todas as práticas que promoveram seu desgaste, além de propor ao governo e à sociedade um projeto sólido e consistente de desenvolvimento econômico e social.

Para isso, o partido precisará de ousadia: em primeiro lugar, para alterar sua governança interna, punindo duramente os casos de desvios éticos e promovendo uma participação mais efetiva na vida partidária dos filiados e dos movimentos sociais; em segundo lugar, para elaborar uma nova visão de Brasil, que parta das conquistas do passado, mas que projete, de forma factível e realista, novas conquistas para o futuro; por fim, para aceitar o fato de que o atual governo, em particular no campo econômico, não contempla suficientemente o renovado projeto petista, abrindo assim espaço para críticas democráticas ao governo por parte das lideranças partidárias.

O PT só será capaz de reconquistar a confiança da sociedade brasileira a partir da formulação de um novo projeto para o Brasil, que fundamente o exercício da crítica honesta e ousada à estratégia atual do governo.

Aliado às mudanças necessárias na gestão e na vida interna do partido, este novo projeto nacional poderá se tornar o grande elemento unificador das esquerdas, possibilitando ao PT voltar a representar o sonho de nação que amalgamou tantos movimentos sociais através da história brasileira recente.

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1 resposta to “Uma nova (talvez a última) oportunidade para o PT se renovar”

  1. Antonio Elias Sobrinho disse:

    A situação do PT é a mais dramática possível.
    De um lado é difícil, agora, tanto tirar o corpo fora dos inúmeros casos de corrupção – mesmo considerando-se os exageros da mídia -, assim como é difícil dizer que ele não tem nada à ver com relação ao comportamento desastroso da Presidente que, além de adotar um projeto econômico historicamente combatido pelo partido de quebra ainda abriu mão da direção política do governo em favor de um partido fisiológico como o PMDB.
    Por outro, é impossível, sem que cheire a oportunismo o partido se reunir num hotel, fazer uma carta de intenções abominando o comportamento do governo e ao mesmo tempo se comprometer com coisas abstratas, vazias, tentando zerar tudo e começar algo novo.
    Pra isso, inclusive, e assim mesmo com resultado duvidoso, seria necessário o partido abandonar o governo e, não só dizer como, na prática, agir como se fosse oposição. Ele vai ter coragem de fazer isso?

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