Foi lançada na semana passada, na UERJ, a Rede Pró-Rio, voltada ao planejamento e política pública regional orientada ao Estado.
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Brasil Debate

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Rede Pró-Rio

Think tank vai mapear estratégias para recuperar o Rio de Janeiro


27/05/2019

Na segunda-feira 20 de maio, foi lançada na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) a Rede Pró-Rio, ou Rede de estudos em planejamento e política pública regional orientada ao Rio de Janeiro. Trata-se de um projeto de think tank coordenado pelo professor Bruno Sobral, da Faculdade de Ciências Econômicas (FCE), também colunista do Brasil Debate, e que reúne inicialmente pesquisadores de mais quatro unidades da UERJ – Direito, Geografia, Ciências Sociais e Medicina Social, além de parceiros externos.

Para Sobral, a ideia é pensar o desenvolvimento do Estado do Rio, que vive uma profunda crise econômica, de maneira mais articulada e ajudar a pautar o debate sobre políticas públicas. “São diversos grupos de trabalho, que vão mapear uma série de temas que consideramos estratégicos para uma agenda do Rio de Janeiro. Eles vão atuar em frentes como estrutura produtiva do estado, questão das finanças públicas, questão da segurança, mercado de trabalho, etc.”, afirmou ao site da UERJ.[i]

A rede conta com grupo de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e integra o programa de extensão Desenvolvimento e Educação – Theotonio dos Santos, do Instituto Multidisciplinar de Formação Humana com Tecnologias (IFHT).

Lançamento da Rede Pró-Rio no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UERJ. Fotos: Divulgação

Leia abaixo o documento que marcou o lançamento da iniciativa, por Bruno Sobral:

Rede Pró-Rio e os desafios a sua frente

Muitas vezes no debate público se adota o discurso equivocado de vocações, algo que não trata adequadamente as questões como desafios de desenvolvimento institucional e coordenação de decisões. Afinal não existem determinismos, o desafio sempre é de construção de temporalidades estratégicas.

Por isso, é essencial reconhecer grandes intelectuais que sua produção e sua capacidade de liderança são fundamentais para os estudos sobre Rio de Janeiro terem seu lugar no debate público. Sem desmerecer outras contribuições, destaco o valor dos trabalhos dos professores Carlos Lessa e Mauro Osorio. Foram e sempre continuarão sendo inspirações e que as atuações presto deferência por avivar um espírito combativo que me filio.

Nesse sentido combativo, é preciso compreender que o Rio não viveu nenhuma bonança no período anterior a crise recente.  Ao contrário, reafirmou uma “estrutura produtiva oca” que foi ignorada por boa parte dos analistas e opinião pública. Isso para não falar da histórica desestruturação da máquina pública estadual junto ao marco de poder e sua incapacidade de lidar com tensões no pacto federativo.

Mas por que todas essas questões não estão totalmente claras para a maioria da população?

Diferentemente de outros lugares, ser orientado para pensar sua região não é o atributo mais valorizado no Rio. Ainda há pouco acúmulo de reflexão regional organizada coletivamente e não condução de uma boa visão estratégica organicamente junto ao Estado, tornando-se um dos desafios principais um avanço institucional nesse sentido. A criação da Rede Pró-Rio espera ajudar a superar essa lacuna. Ou seja, ir além de tratar o Rio como estudo de caso e passar a articular um discurso a partir do território, a partir dos interesses regionais. E isso junto à valorização da educação e à defesa institucional da UERJ.

Muitas vezes me colocam como idealizador desse projeto, o que não é verdade. Eu apenas aceitei a missão de estruturá-lo com um conjunto de colaboradores e instituições parceiras que, por falta de tempo não listo, mas deixo o agradecimento a todos. Ainda assim, faço questão de destacar os aliados desde o primeiro momento: Inês Patrício, Glória Moraes e Eduardo Moraes.

Agora, em primeira instância, idealizador de fato foi todo aquele que, num primeiro momento, sempre cobrou que a UERJ se integrasse institucionalmente a uma agenda de desenvolvimento regional. Gratos a todos esses que sempre cobraram e que continuem cobrando para nos inspirar a demonstrar nossa unidade e capacidade de organização.

Já, em última instância, idealizador mesmo foi todo aquele que não só cobrou, mas colocou sua visão pública a frente de qualquer particularidade pessoal e, se necessário, vestiu e vestirá a camisa da UERJ independentemente de ser ou não membro de sua comunidade. Fico emocionado de ver que não são poucos que assumiram isso de imediato, e outros que ainda não e farei o possível para debater e chamar para somar. Todo projeto pode ser sujeito a críticas, mas a melhor forma de compreender uma iniciativa é se envolver nela. Logo, aos eventuais críticos, peço que se envolvam mais, que caminhem junto.

É inegável que tenho minha interpretação própria sobre a problemática do Rio. Mas a Rede Pró-Rio não é um projeto que tem dono, que uma assinatura se põe a frente. Ao contrário, ao aceitar a missão de estruturá-lo, ficou claro para mim que é totalmente insuficiente, para a complexidade dos problemas fluminenses, termos interpretações pessoais e isoladas por mais meritórias que sejam.

Se realmente queremos construir uma grande narrativa crítica e alternativa do ponto de vista progressista, precisamos somar e dividir espaço com generosidade. Se realmente queremos não apenas nos envaidecer com o reconhecimento próprio mas agir antes como figuras públicas, precisamos valorizar e buscar integrar outras e novas dimensões de análise trazidas por colaboradores diferentes de nós, precisamos superar encastelamentos profissionais e fazer o cruzamento de experiências a ponto de reduzir a distância entre a academia, a gestão pública e a sociedade organizada.

É esse o sentido da proposta, ambiciosa como a já questionaram, mas não exagerada. O projeto está em seu início, e quando digo que não sou seu idealizador da mesma forma não idealizarei seu futuro. Basta-me hoje seguir Confúcio, pensador chinês, quando disse: “aja antes de falar e, portanto, fale de acordo com os seus atos”. Nesse sentido, o que virá a ser não está definido a priori, mas a mobilização e apoios que já colheu permitem que se fale que um importante desafio institucional está sendo encarado e seu encaminhamento tornado concreto dentro das possibilidades.

Por isso, detenho-me a agradecer todo o apoio dado. Em especial, agradeço a reitoria, os pró-reitores, os diretores de centro, diretores de unidade envolvidos, pessoal do programa PDETS, e membros próximos das associações de docentes, discentes e funcionários. Agradeço diversos colegas que nominalmente não poderia citar todos, mas sintetizo nos agradecimentos aos professores Domenico Mandarino e Kenneth Camargo, aliados para todas as horas em viabilizar o projeto internamente.

Aprendi com a comunidade da UERJ que ela é uma instituição viva e baseada no orgulho de cada um que a compõe. E essa energia que fará sempre a diferença então posta sob uma orientação propositiva e disposta a interação com um arco político mais amplo. Temos algo a dizer, temos capacidade de somar interna e externamente, temos compromisso com nosso estado e seu povo.


[i] Assista ao evento de lançamento da Rede Pró-Rio na página do evento no Youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PL6qre1IOzkRxccra264VK_4YBQdRWowmN e se informe também pelo Facebook; https://www.facebook.com/rede.pro.rio

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