Senadores manifestaram concordância com o documento "Por um Brasil Justo e Democrático" e com a necessidade de o governo Dilma Rousseff rever a sua atual política econômica, centrada no programa de ajuste fiscal que intensificou a recessão no país.
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Brasil Debate

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Najla Passos, de Carta Maior

Senadores querem debater ‘documento dos economistas’ com empresários e sindicalistas

Para os parlamentares, a mudança da política econômica em curso é imperativa para o fim da recessão e a retomada do crescimento

03/11/2015

Publicado na Carta Maior em 1-11-2015

docOKEconomistas e representantes das organizações que participaram da elaboração do documento “Por um Brasil justo e democrático” se reuniram com um grupo de dez senadores, na terça (27), em Brasília, para apresentar a proposta e discutir estratégias para o Brasil vencer a recessão e retomar o crescimento econômico.

Organizada pelo senador Lindberg Farias (PT-RJ) e pelo membro da coordenação-executiva do Fórum 21 e diretor-presidente da Carta Maior, Joaquim Palhares, a reunião ocorreu no gabinete do senador Roberto Requião (PMDB-PR), apontado como uma das principais lideranças suprapartidárias da casa. Os debates foram tão intensos que a reunião durou mais de três horas.

Vários senadores manifestaram concordância com o documento e com a necessidade de o governo Dilma Rousseff rever a sua atual política econômica, centrada no programa de ajuste fiscal que intensificou a recessão no país. A avaliação geral é que o modelo implementado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não tem surtido os efeitos prometidos.

A senadora Gleise Hoffman (PT-PR) destacou a retração do crédito para o setor produtivo como um efeito preocupante da atual política econômica. O senador Blairo Maggi (PR-MT) acrescentou que a suspensão das linhas de crédito ofertadas pelos bancos públicos, aliada à alta das taxas dos juros, paralisou a economia de tal forma que, se não houver correções, será uma quebradeira generalizada.

Segundo ele, a falta de crédito para o setor produtivo paralisa tanto o agronegócio quanto as indústrias, o que poderá gerar desnacionalização. Maggi propôs que os senadores e economistas convoquem o setor produtivo para debater o documento. O senador Paulo Rocha (PT-PR) sugeriu que o o debate seja estendido também às lideranças sindicais, em uma reunião ampliada.

Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) chegou a afirmar que votaria em um candidato à presidência da república que apresentasse o documento como programa de governo, tamanha sua solidez. Em entrevista à Carta Maior, ele ressaltou a importância da proposta. “O documento é uma contribuição mais do que adequada para a mudança do paradigma da política econômica neste momento”, afirmou.

Segundo ele, a política fiscal em curso desde o início do governo Dilma havia prometido retirar o país da recessão e iniciar a recuperação da economia em agosto. “Nós estamos com o ano terminando e o que essa política de ajuste fez foi aprofundar a recessão. A previsão que saiu agora é que a retomada só venha a acontecer em 2017, 2018”, critica.

Para Randolfe, o documento dos economistas é o diagnóstico correto de que o remédio que está sendo aplicado ao paciente, ao invés de melhorar sua saúde, está levando seu organismo à metástase, à morte. “Então, está provado que o remédio tem que mudar”, esclarece.

Além dos seis já citados, também participaram da reunião os senadores Telmário Mota (PDT-RR), Donizete Nogueira (PT-TO), Douglas Cintra (PTB-PE) e Ivo Cássio (PP-RO).

Projeto coletivo e apartidário

O documento é um projeto coletivo, apartidário, de iniciativa de diversas instituições e organizações da sociedade civil, como Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, Rede Desenvolvimentista, Fundação Perseu Abramo, Brasil Debate, Plataforma Política Social – Caminhos para o Desenvolvimento, Le Monde Diplomatique Brasil e o Fórum 21.

Contou com a participação efetiva de cerca de 40 economistas que se reuniram em seis ocasiões e continuaram a debater os temas propostos pela internet. Lançado em São Paulo em 27/9 e em Brasília em 26/10, o documento suscitou críticas veementes da mídia, da oposição e dos economistas ortodoxos, que defendem os preceitos neoliberais.

Dividido em dois volumes, possui três objetivos centrais: propor um projeto de desenvolvimento para o país que passa pela distribuição da renda e da riqueza, além da expansão da oferta de bens públicos; criticar as atuais políticas econômicas que têm reforçado a recessão; e propor uma agenda de curto prazo para o país sair da crise.

Confira aqui os dois volumes do documento:

Mudar para sair da crise – Alternativas para o Brasil voltar a crescer (Vol. I)

O Brasil que queremos – Subsídios para um projeto de desenvolvimento nacional (Vol. II)

Crédito da foto da chamada da página principal: EBC

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