Os investimentos em curso na região, formada por Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e Maranhão, a exemplo da Ferrovia Norte-Sul, estão provocando uma corrida entre as empresas para conseguir se instalar nos portos locais.
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Brasil Debate

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Jamile de Campos Coleti

Graduada em Gestão do Agronegócio e Administração (Unicamp), mestre e doutoranda em Desenvolvimento Econômico (Unicamp), pesquisadora do Núcleo de Economia Agrícola (IE-Unicamp)

 
Jamile de Campos Coleti

Portos do Arco Norte são nova opção logística para exportação

Além de diminuir o fluxo em Santos e Paranaguá, os portos da região são mais próximos dos locais produtores de grãos. Com isso, a redução no custo logístico poderá chegar a US$ 50/tonelada. E isso é só o começo. A tendência é que carnes, derivados de madeira e de cana-de-açúcar também comecem a usar rotas com saída pelo Arco Norte

Investimentos de origem pública e privada que beneficiarão os portos da região do Arco Norte, composta pelos Estados de Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e Maranhão, prometem aliviar o fluxo intenso dos portos de Santos (SP), o maior complexo portuário do país, e Paranaguá (PR), desafogando as exportações do agronegócio.

mapa jamile

Um conjunto de obras em andamento na região deverá trazer resultados ainda em 2016. As principais são:

Ferroviário:

Ferrovia Norte-Sul: Promete unir as extremidades geográficas do território brasileiro de Bacarena (PA) até o porto de Rio Grande (RS) com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Alguns trechos já foram entregues, porém, devido à sua complexidade, caminha a passos lentos.

Ferrovia Paraense: Liga o estado do Mato Grosso (principal produtor de grãos) até o Pará. É uma iniciativa do governo paraense e prevê o investimento de R$ 17 bilhões. Facilitará o transporte de grãos e minérios, além de contar com uma ligação com a Ferrovia Norte-Sul.

Ferrogrão: Projeto da iniciativa privada liga o município de Lucas do Rio Verde (MT), uma região tradicional de produção de grãos, com o Porto de Miritituba (PA), que fica ao lado do Rio Tapajós. O interessante do Ferrogrão é que essa ferrovia está localizada paralelamente à rodovia BR 163, promovendo uma integração dos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário.

Rodoviário:

Rodovia BR 163: Liga o município de Sinop (MT) à Mirititutba (PA), embora seja um dos principais corredores de exportação, apresenta 200 km da sua extensão sem pavimentação e poderá sofrer com a concorrência do Ferrogrão além de ter sofrido com um aumento do teto tarifário de pedágio.

Hidrovias:

Hidrovia do Tocantins: O derrocamento do Pedral do Lourenço vai viabilizar a navegação permanente na hidrovia Tocantins-Araguaia, que promete beneficiar as pequenas comunidades agrícolas localizadas nas planícies de inundação do Araguaia que atualmente cultiva arroz, soja, milho, abóbora, melancia e outros produtos.

Como algumas dessas obras já estão em funcionamento, em 2015 já tivemos um resultado positivo em relação às exportações pelos portos do Arco Norte. Cerca de 20 milhões de toneladas de soja e milho foram exportados pelo Arco Norte em 2015, contra 13 milhões de toneladas em 2014, totalizando num aumento de 54%. A expectativa é de que em 2016 26 bilhões de toneladas de grãos sejam exportados pelos portos do Norte.

Os portos do Arco Norte estão realizando obras de ampliação, como é o caso de Itacoatiara (AM), Bacarena e Santarém (PA) e São Luís (MA), e a instalação de novos pontos de transbordos, como é o caso de Miritituba (PA). Essa readequação promete impulsionar ainda mais o transporte pelo Norte.

Além de diminuir o fluxo nos Portos de Santos e Paranaguá, devido à proximidade das regiões produtoras de grãos com o Arco Norte, estima-se que a redução no custo logístico poderá chegar a US$ 50/tonelada.

E isso promete ser apenas o começo. Soja e milho estão abrindo caminhos pelo Norte, mas a tendência é que carnes, derivados de madeira e de cana-de-açúcar também comecem a utilizar rotas que promovam a saída pelo Arco Norte.

E como ficam os portos do Sul com essa mudança? Com o aumento das safras nos últimos anos, o porto de Rio Grande (RS) viu crescer em 115% seus embarques de soja, milho e farelo em cinco anos. O mesmo acontece em São Francisco, que teve crescimento de 137% no período.

Em Paranaguá, a ordem é priorizar negócios mais sofisticados, principalmente farelos. Está havendo uma realocação em relação aos produtos para exportação; ninguém vai deixar de ganhar, há apenas uma reformulação e busca por melhores melhores rotas de escoamento.

E pra quem ainda tem dúvida sobre o Arco Norte ser a “bola da vez”, todas as grandes empresas do setor de grãos estão migrando para lá. Está ocorrendo, neste momento, uma verdadeira corrida entre as empresas para conseguir se instalar nos terminais do Norte.

Crédito da foto da página inicial: Divulgação

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