O “queridinho de FHC” representa a política da empresa que participava de apenas 3% do PIB, diametralmente oposta à Petrobras que gerou empregos com o conteúdo local e alcançou 13% do PIB, um aumento de mais de 300%.
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Brasil Debate

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Tadeu Porto

Engenheiro eletricista e mestre em Engenharia Elétrica pelo Cefet-MG, é petroleiro e diretor do departamento de formação do sindipetroNF. É colunista do Brasil Debate

 
Tadeu Porto

Pedro Parente e a cereja do bolo privatista que afunda o projeto nacional

Fica um bocado óbvio que o ex-chefe da Casa Civil de FHC foi escalado para a Petrobras no intuito de cumprir a agenda liberal e privatista dos golpistas e é mais óbvio ainda que os petroleiros e petroleiras vão lutar bravamente contra tal feito. Não só por razões ideológicas, mas também para evitar a má política da década de 1990

Conteúdo especial do projeto do Brasil Debate e SindipetroNF Diálogo Petroleiro

 

-Noc, noc.

-Quem é?

-Petrobras, é você?

-Sim, posso ajudar?

-Oi, aqui é a sua prima. Saudades miga!

-Prima? Que prima?

-Sei que ando meio sumida, mas precisava te ver! Sou eu, sua parente distante, a PetroBrax.

Não vou criticar aqui o Pedro Parente pelo o que ele vai fazer no futuro, até mesmo porque não sou mãe Diná e, principalmente, respeito demais a empresa para começar um processo destrutivo de disputa de projetos. Sei que não está muito na moda no Brasil se respeitar a democracia, mas não consigo ser um rato perverso como o Temer, um mau perdedor mimado como o Aécio ou um narcisista invejoso como o FHC, portanto, minha discordância aqui do ex-funcionário do FMI tentará ser a mais respeitosa possível.

É claro que numa batalha não vale muito a pena elevar o respeito a um nível altruísta, afinal seus adversários não pensarão duas vezes em lhe dar um golpe pelas costas. Mas a figura ultrapassada e ineficiente de Parente acaba ajudando nas críticas, pois nem preciso perder tempo abstraindo o que ele fará com a Petrobras com tanto para escrever acerca dos péssimos papéis que ele empenhou como ente público no passado.

Bom, se Pedro foi eficiente no mercado privado, onde se instalou no início do governo Lula até ser anunciado para o lugar do Bendine, deveria ter ficado por lá. Fato é que a vida pública do queridinho do FHC (precisamos de 20 Pedros Parentes para privatizar, quer dizer tocar, o Brasil) é um desastre que não corresponde à grandeza da petrolífera nacional.

Fica um bocado óbvio que Parente foi escalado para a Petrobras no intuito de cumprir a agenda liberal e privatista dos golpistas (que só é possível na mão grande) e é mais óbvio ainda que os petroleiros e petroleiras vão lutar bravamente contra tal feito. Vale ressaltar que a resistência petroleira não é apenas ideológica – apesar de ter todos os motivos do mundo para sê-la – mas é pautada, também, pela má política que a Petrobras apresentou na década de 90, que só não destruiu a empresa por falta de tempo e pela luta da categoria, como a greve de 1995 (uma das mais importantes da história nacional).

E se a nossa estatal esteve em maus lençóis na mudança de milênio, Fernando Henrique e sua equipe que protagonizaram um desastroso segundo mandato (que não conseguiu sequer manter o tripé que ele mesmo sugeriu equilibrado) têm tudo a ver com isso. Equipe essa que contava com o novo privatista favorito de Temer, Pedro Parente, na Casa Civil, no “ministério do apagão”, enfim, na liderança do desastre.

E não obstante ser o braço direito do segundo pior presidente da história recente nacional (Collor foi imbatível), Parente também era um entusiasta do mandato de Henri Philippe Reichstul: o francês que chegou a anunciar a mudança de nome da Petrobrás para Petrobrax (imagina que desastre se isso acontece), protagonizou um dos piores acidentes da história da companhia, o afundamento da P36, que matou onze trabalhadores offshore, e ocasionou dois super vazamentos sem mostrar o zelo devido com o meio ambiente.

A Folha chamou as falhas de Reichstul de “Inferno Astral” (Oh dó… Teve azar o coitadinho). Contudo, passada mais de uma década, sabemos que as mazelas são frutos de uma política equivocada e ineficiente: de entregar nosso capital produtivo para empresas estrangeiras que não se importam com o valor agregado deixado ao país. É relativamente tranquilo concluir que a política liberal na Petrobras foi ruim, pois, mesmo crescendo exponencialmente em número de funcionários, produção, exploração, refino, lucro, valor de mercado (podem escolher) sob o governo [um pouco mais] estadista do PT, ainda longe do ideal, não tivemos uma gestão tão vexatória como a do francês na época do sociólogo na Presidência.

E Parente representa exatamente esse tipo de política: da empresa que participava de apenas 3% do PIB nacional, diametralmente oposta à Petrobras que gerou empregos com as obras de conteúdo local e de sua integração energética quando a companhia alcançou a participação de 13% do Produto Interno Bruto brasileiro, um aumento de mais de 300%.

A Petrobrás é grande e importante demais para ficar à mercê de um conspirador e sabemos que ela vai superar mais essa fase de entreguista. Todavia, não se pode deixar de destacar que Temer tentar impor o ex-ministro privatista de FHC não só é um desrespeito imenso aos eleitores que votaram no projeto que a chapa dele representa, mudança que só é possível com uma traição rasteira à nação, como também é de uma ignorância monumental querer voltar aos pífios resultados dos anos 90. Michel parece uma criança tentando encaixar um cubo gigante num buraco circular pequenino*.

Pedro Parente chega para afundar a Petrobras de maneira semelhante a que seu coleguinha Henri Reichstul fez com a P36. Mas encontrará a resistência petroleira pronta para salvar, mais uma vez, a empresa da incompetência liberal.

*Sendo x o lado do cubo e y o diâmetro da circunferência, x = 10y.

Crédito da foto da página inicial: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

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1 resposta to “Pedro Parente e a cereja do bolo privatista que afunda o projeto nacional”

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