No entendimento desta escola, a intervenção do Estado prejudica o conjunto das relações econômicas. Por isso defende o laissez-faire e o Estado mínimo como condições essenciais para o florescimento do “espírito capitalista”.
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Brasil Debate

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Juliano Giassi Goularti

É doutorando do Instituto de Economia da Unicamp. É colunista do Brasil Debate

 
Juliano Giassi Goularti

O papel do Estado na economia: crítica à escola austríaca

O Estado mínimo, como defende esta escola, significa, na verdade, oposição às políticas de direitos e garantias sociais. O capitalismo darwinista não faz política social, quem faz política social é o Estado

05/07/2016

Partindo do nível de abstração teórico e dentro do princípio da liberdade de expressão e da democracia, pretendemos neste artigo nos contrapor à escola austríaca. Dado a limitação de espaço, refutaremos um ponto da escola: o papel do Estado e da autoridade monetária (Banco Central).

No entendimento da escola, a intervenção do Estado prejudica o conjunto das relações econômicas, por isso defende o laissez-faire. No seu conjunto, as intervenções são vistas como uma prática equivocada, perniciosa e trazem danos e consequências desastrosas. O Estado mínimo é condição essencial para florescer o “espírito capitalista”, prevalecendo a radicalização da crença smithiana da mão invisível, na capacidade autorreguladora do mercado e na crença da lei de Say. Logo, “quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais compulsão e menos liberdade”.

Partindo desta defesa, a postura da escola quanto a não intervenção do Estado é muito mais aguerrida do que os próprios clássicos. Em última instância, há por detrás deste espírito a visão de que a espada do Leviatã é uma arma opressora que apunhala as liberdades individuais. Estaria a escola defendendo o estado de natureza hobbesiano, um estado de guerra permanente de todos contra todos?

Neste debate, Ludwig von Mises dá uma atenção especial à atividade bancária. A intervenção do governo no mercado de crédito, ou seja, na sua intensificação/expansão “está fadada ao fracasso. Mais cedo ou mais tarde resultará numa catástrofe”. Ao lançar crédito no mercado, faz aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e isso gera inflação. O mesmo se dá para os gastos “irresponsáveis” do governo, que são uma espécie de fermento para dívidas públicas e pressionam a inflação.

Ressurgindo recentemente por meio do neoliberalismo, a escola vê malefícios da atuação da autoridade monetária. Referindo-se ao caso brasileiro, citando, com exemplo a mudança de moeda, Ubiratan Iorio entende que “literalmente, desde que foi criado, o Banco Central do Brasil nada mais fez do que destruir a nossa moeda!”. Isto quer dizer que a economia funcionaria muito melhor sem um Banco Central.

Friedrich Hayek defende uma postura ultra-radical: moedas privadas e concorrentes entre si como forma de dar maior estabilidade ao sistema. Em outros termos, não caberia ao Estado estabelecer nenhum tipo de monopólio no mercado monetário. No contexto da moeda privada, a tendência seria o caos do tipo “salve-se quem puder”. De uma forma geral, não resolveria o problema da incerteza, não traria estabilidade dos preços e aprofundaria com a velocidade de uma fecha a concentração de riqueza e ampliação das desigualdades sociais.

Desta maneira, é um mito de que a existência de concorrência entre moedas seria a saída para o problema da inflação como também para a garantia de uma maior estabilidade do regime do capital. Repassar ao mercado a função de guardião da moeda e privá-la é renunciar toda e qualquer autonomia de política monetária. Seria como estar preso a uma bola de ferro aferrolhada aos pés.

Quanto ao papel do Estado, “o capitalismo só triunfa quando se identifica com o Estado, quando ele é o Estado” (Braudel). A “sobrevivência do capitalismo tornou-se possível apenas em razão do papel jogado pelo Estado” (Przeworsky). Amiúde, o capitalismo só tornou-se o que é porque a centelha proveio do Estado.

Por excelência, é preciso entender que o Estado teve e tem papel essencial na reprodução contínua do capitalismo, isto é, o Estado é ao mesmo tempo a ossatura material e a espinha dorsal do capitalismo. O Estado não somente garante a defesa dos interesses dos capitalistas, mas também sua reprodução em escala ampliada. Por isso, cada vez mais, o capital necessita do Estado.

Não existe o auto-salvamento do capitalismo sem Estado, existe sim o suicídio. Quem salva o capitalismo de sua própria anarquia é o Estado. Se fosse trilhar por suas próprias pernas, o capitalismo ainda estaria nocauteado em decorrência de suas sucessivas crises.

Essa narrativa vulgar papagaiada da necessidade da existência do Estado mínimo significa oposição às políticas de direitos e garantias sociais. Na verdade, isto representa uma defesa do tipo de estratégia militar para rendição do Estado em fazer política de desenvolvimento social. O capitalismo darwinista não faz política social, quem faz política social é o Estado. Nesse tocante, se hoje temos direitos trabalhistas, universidades e previdência públicas, SUS dentre outros direitos sociais e serviços públicos é porque teve a intervenção do Estado.

Do contrário ao exposto, é óbvio que, se fôssemos submeter a economia política ao modelo de Estado mínimo, não haveria tais direitos sociais e os serviços seriam privados, o que privaria a ampla e esmagadora maioria da sociedade. Neste sentido categórico, o Estado mínimo nos leva a parafrasear Tucídides: “os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem o que devem”. Poderíamos também comparar o Estado mínimo com a pintura a óleo de Francisco de Goya “Saturno devora seu próprio filho”.

Quanto à atuação da autoridade monetária, esta foi criada para sanear as contradições internas do capitalismo. Não foi criada por vontade divina ou satânica, mas sim para garantir a estabilidade do próprio sistema capitalista, isto é, impedir sua anarquia. Não por menos, quem salvou o sistema financeiro do colapso em 2007-8 foi o socorro público pela via da socialização dos prejuízos. Caso destitua a autoridade monetária, o sistema entraria em chilique na primeira esquina.

O sistema de crédito é que permite a realização de investimentos, novas combinações, demanda efetiva, reprodução ampliada. O crédito é a força motriz da produção capitalista, que permite acelerar a dinâmica da circulação do capital, como também faz com que a articulação das relações capitalistas se propague no mercado.

O progresso técnico e o processo de inovação tecnológica seriam impossíveis de existir sem o sistema de crédito. Se fôssemos esperar pela formação da poupança para o desdobramento do modo de produção capitalista, certamente esta ainda estaria em seu estágio primitivo. Portanto, associar a expansão o crédito à inflação é uma blasfêmia.

Já quanto ao gasto governamental, assim como o crédito, é emprego, renda e, sobretudo, política social. No caso brasileiro, a dívida pública está correlacionada com as altas taxas de juros, e não com os gastos governamentais. Na prática, o gasto público é que permite a máquina capitalista continuar seu fluxo circular. Inibir o gasto público pelo mecanismo astuto de ajuste fiscal significa evocar a desgraça da ampla maioria da população, colocando-a para ser triturada pelo “moinho satânico”.

Nesta lógica, é preciso entender o sistema de crédito e de gasto governamental como fenômeno fundamental do desenvolvimento econômico e social, e não como elemento draconiano da inflação. Por essas e outras razões, a fé emocional na austeridade fiscal é uma crença vulgar na estabilidade macroeconômica, que corrói o tecido social dos “filhos deste solo”.

Para encerrar, se o pecado original do historiador é o anacronismo, o pecado original do economista liberal/ultraliberal é seu constante divórcio com a realidade – é o caso da escola austríaca.

Crédito da foto da página inicial: Noor Khamis/ Reuters/ Latinstock

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6 respostas to “O papel do Estado na economia: crítica à escola austríaca”

  1. lucca disse:

    Gente, vocês definem capitalismo como o quê?

    O capitalismo não sobrevive sem o estado por causa das crises econômicas históricas?

    Parece que estão confundindo capitalismo como sucesso financeiro.

    Capitalismo é apenas a livre troca de mercadorias por indivíduos…

    Nesse caso, o capitalismo sobrevive o tempo inteiro a não ser que haja intervenção estatal.

    Se o capitalismo gera miséria ou não é irrelevante, não faz sentido dizer que ele não subsiste sem o estado… é muita droga que vocês usam.

  2. Lucas Batista disse:

    O estado é a antítese do mercado , sendo coercitivo e um monopólio, por outro lado , o capitalismo
    se baseia em livres contratos. Acreditar que o trocas voluntárias precisem de um planejador central para
    acontecerem é uma contradição , não existem ´´trocas voluntárias´´ planejadas por alguém além dos agentes da ação.
    O capitalismo nunca foi salvo pelo estado, por outro lado , o Estado já foi salvo pelo capitalismo , países pobres
    crescerem com a soltura do capitalismo, na crise de 29, o próprio estado causou a crise intervindo incessantemente
    na moeda, enquanto que na crise de 21, que ele não fez nada, o mercado conseguiu se adaptar e andar para frente.

    O estado garente direitos sociais? patético. Direitos sociais não possuem nenhuma lastro filosófico para lhes
    concederem valor. O estado não pode te devolver mais do que taxa se não deixar outros sem compensação,
    boa sorte em depender de serviços públicos e racionados.
    Os fortes – no caso, os ricos – já são os que se beneficiam mesmo com serviços públicos porque eles podem usar
    serviços privados e de maior qualidade, os pobres dependem da ração racionada feita pelo estado,
    monopólios sempre serão mais caros e de menor qualidade, pois não há incentivos para quen não o seja.

    Em 2008 , a socialização da dívida foi feita para salvar o euro , mas essa dívida foi causada pelos países,
    não por uma contradição interna do capitaliso. Os preços são formados pela interação livre das pessoas,
    é totalmente natural que o preço da moeda mude, não existe tal estabilidade.

    O crédito poupado pelas pessoas que é o impulso da economia, créditos criados viam inflação dão o sinal
    de que a população está mais rica do que realmente parece, fazendo com que investimentos caros á longo prazo sejam feitos
    sem que reflitam as preferências dos consumidores, pois eles não pouparam dinheiro algum para novos investimentos.

    O sistema de crédio de padrão-ouro possibilitou o melhor crescimento econômico que a América do Norte já presenciou, com o tempo,
    o sistema de crédito foi sendo tomado pelo governo e a moeda tornou-se mero papel moeda fiduciário , podemos ver aqui
    qual modelo nos fornece um sistema de crédito mais confiável.

    Você se esquece que para realizar investimentos públicos é necessário taxar as pessoas e obstruir o comércio e investimentos privados, cada investimento
    público é um investimento privado á menos, e o estado não segue a lógica ecônomica de custo-benefício, sendo assim,
    são produzidos váriso empregos públicos pagos via imposto e que não produzem riqueza alguma , todos pagos pelo estado que,
    quando pretende lucrar , apenas copia o modelo de empresas privadas, e quando vê que não consegue
    parte para aberrações como ´´recompensa social´´ que ninguém pagou ou pediu.

    A ignorância fatal dos intervencionistas é achar que capitalismo e estado podem se misturar ,e vão além , dizendo que o estado
    garante a preservação do capitalismo , ignorando o quanto as regulações prejudicam a atuação do mercado – ignorando a realidade.

  3. Miguel Ferreira Filho disse:

    Juliano Giassi Goulart, seu texto é de longe uma das piores refutações que já vi na vida! Ele é tão tosco que você não citou os principais autores críticos da existência do Banco Central: Hans Hermann Hope (que você nunca vai refutar) e o INTOCÁVEL Jesus Huerta do Soto (um gênio! Você vai morrer sem conseguir rebater uma linha do que ele escreveu). Seu texto tem muitas afirmações e pouquíssimas provas. Muito poucas mesmo. Eu vou mostrar a você como refutar um texto e o seu será o cobaia.
    Vou pular o primeiro parágrafo que é só uma introdução e fazer uma pequena correção ao segundo parágrafo, não ao que está escrito mas ao que está subentendido: nós, anarco-capitalistas e libertários não temos nada a ver com os liberais. Pois o nosso pensamento tem base na natureza do direito. Ele não é utilitarista, como boa parte do pensamento liberal.
    -“Estaria a escola defendendo o estado de natureza hobbesiano, um estado de guerra permanente de todos contra todos?”. Na primeira vez que li Leviatã eu tinha uns 13 anos. Só li porque achava a capa bonita. Não achei nada do livro inicialmente mas depois de pensar profundamente, pensei que aquilo era um dos maiores lixos que eu já tinha lido. Primeiro: a natureza maligna do homem não é argumento para justificar o absolutismo. Na verdade, é necessário um salto astronômico na filosofia lógica para se chegar a esta conclusão. Segundo que se de fato todos os homens são maus, então eles não podem julgar uns aos outros, porque eles próprios se assumem não confiáveis. É como se Hobbes dissesse: os homens roubam e mentem. Ora, Hobbes é um homem, então rouba e mente. E a ideia de que um rei absoluto (que é homem, rouba e mente) é necessário porque o homem rouba e mente é irrisória. Terceiro: se todos os homens são maus, a última coisa a ser feita é dar a um único homem poder sobre todos os outros. O ideal é que todos fossem poderosos ou que nenhum fosse, o que em ultima instância, dá na mesma. Isto foi o que eu com 13 anos pude deduzir e é também o que está escrito no artigo 51 d’O Federalista, que é a constituição americana comentada pelos seus redatores e estudiosos. O Estado deve ser pequeno porque homens são maus. A ideia de que ele deve ser grande porque os homens são maus é (desculpe) idiota e infantil.
    -“Friedrich Hayek defende uma postura ultra-radical: moedas privadas e concorrentes entre si como forma de dar maior estabilidade ao sistema. Em outros termos, não caberia ao Estado estabelecer nenhum tipo de monopólio no mercado monetário. No contexto da moeda privada, a tendência seria o caos do tipo “salve-se quem puder”.” Ahn? Acho que você não sabe o que é moeda. Afinal, EXISTEM CENTENAS DE MOEDAS PRIVADAS POR AÍ. Primeiro foi o bronze, também já foi ouro, foi marfim, petróleo, diamante, mão-de-obra e até o corpo das prostitutas. Existem centenas de moedas privadas por aí. Acho que você não sabe o que é moeda! Afinal, quando Heyek fala de moeda privada, fala de um instrumento de trocas que tem seu valor dimensionado através de sua praticidade de uso. Ela existe porque a prostituta talvez não queira fazer sexo com um padeiro em troca de pãezinhos. Então ela dá a moeda. A moeda tem seu valor devido a sua praticidade e aplicabilidade. Não é fácil encontrar um comprador de diamantes mas compradores de ouro se encontram facilmente. Pronto! A moeda da prostituta será o ouro. Mas também poderia ser madeira, água, todo tipo de commoditie imaginável. E moedas privadas existem também como criptomoedas e a mais famosa é o Bitcoin. Entretanto, podem haver outras criptomoedas. O mercado de criptomoedas é um negócio como qualquer outro. (Não sei se você percebeu, mas aqui você e seu Banco Central já estam sumariamente refutados. Mas vamos terminar)
    -“Desta maneira, é um mito de que a existência de concorrência entre moedas seria a saída para o problema da inflação como também para a garantia de uma maior estabilidade do regime do capital. Repassar ao mercado a função de guardião da moeda e privá-la é renunciar toda e qualquer autonomia de política monetária. Seria como estar preso a uma bola de ferro aferrolhada aos pés.” Que pitoresco! VOCÊ NO PARÁGRAFO ANTERIOR NÃO TINHA PROVADO NADA E AQUI INSERE A CONCLUSÃO DAS PROVAS QUE VOCÊ NÃO MOSTROU. Incrível.
    -“Quanto ao papel do Estado, “o capitalismo só triunfa quando se identifica com o Estado, quando ele é o Estado” (Braudel). A “sobrevivência do capitalismo tornou-se possível apenas em razão do papel jogado pelo Estado” (Przeworsky). Amiúde, o capitalismo só tornou-se o que é porque a centelha proveio do Estado.” Ora, vamos refutar Braudel! O capitalismo do ponto de vista libertário é um arcabouço moral que preza pela liberdade e propriedade, assim como transação mercantil da mesma. Quem já estudou Direito sabe que existem direitos fundamentais de primeira, segunda, terceira e quarta dimensão. A liberdade e propriedade são os direitos de primeira dimensão: SÃO CHAMADOS DIREITOS NEGATIVOS, porque sua existência implica na NÃO interferência nem do Estado, nem do civil, nem de ninguém. Se você interfere, então não há liberdade para o interferido. Ora, 1. O livre-mercado só existe porque existem direito a propriedade e a liberdade. 2. Estes são direitos negativos: eles existem devido a não ação de ninguém, nem do Estado. 3. Logo, o LIVRE-MERCADO NÃO PRECISA DO ESTADO! Fim. Braudel refutado, assim como Przeworsky e você. Quer um pouco mais de refutação baseada em filosofia do Direito? Os Direitos Fundamentais de Primeira Dimensão falam de vida, liberdade e propriedade. Eles são negativos, porque incorrem na negação de ação por parte de outrem. Ele é diferente dos direitos de segunda dimensão (relativos a igualdade), de terceira (fraternidade e pluralismo) e quarta (educação, saúde, etc.). Como se sabe, as leis tem ordem de observância hierárquica. A Constituição tem mais poder jurídico do que o Código Penal. O mesmo vale aos direitos fundamentais. Os direitos fundamentais negativos são os mais incondicionais. Agora, uma pergunta: você (você mesmo) pode taxar, assaltar, prender, regulamentar, burocratizar ou estatizar um inocente? Não? Então por que você acha que pode delegar este direito a um politico, servidor público ou presidente do Banco Central? Se você não tem este direito, então não pode delega-lo a ninguém. Afinal, você não o tem! Responda e refute um pilar da Filosofia do Direito!
    Como os estapafúrdios parágrafos seguintes são extensões da baixeza intelectual de Braudel, que você fez o desserviço de citar, então eu vou pula-los.
    -“Se fosse trilhar por suas próprias pernas, o capitalismo ainda estaria nocauteado em decorrência de suas sucessivas crises.” Até porque o Estado é infalível, nunca teve crises e matou muito menos que o capitalismo. Os seis milhões de mortos pelo estado nazista, 50 milhões de mortos na URSS, 80 milhões de mortos na China Maoísta, 100 mil na Coreia do Norte, 100 mil em Cuba, 40 mil mortos por Franco, Pinochet, ditadura militar no Brasil, na Argentina, Portugal, Itália, Espanha, mortos das Guerras napoleônicas, Primeira e Segunda Guerra Mundial, mortos nas Cruzadas, Guerras Médicas e afins foram só um mero acidente. O real culpado foi o carinha dono de uma barraca de frutas, o trabalhador assalariado, o patrão dele, gente que é proprietário de uma casa capitalista opressora, etc.
    -“Essa narrativa vulgar papagaiada da necessidade da existência do Estado mínimo significa oposição às políticas de direitos e garantias sociais.” MAS É LÓGICO, MEU FILHO! O que eu escrevi acima? Os direitos fundamentais de primeira dimensão são hierarquicamente superiores em ordem de observância. Os direitos sociais (que são de quarta dimensão) devem ser antes de tudo, CONSONANTES aos direitos negativos. Pois eles precisam ser positivados pelo Estado para “existirem” ao contrário do direito jusnaturalista. Fim! Pode espernear! Isso não muda o fato de que VOCÊ NÃO PODE INICIAR AGRESSÃO AO INOCENTE (SEJA POR MEIO DE IMPOSTOS OU TAXAÇÕES) PARA GARANTIR DIREITOS SOCIAIS que são feitos de impostos assim como tudo que o estado dá “‘””de graça'”‘””.
    -“Quanto à atuação da autoridade monetária, esta foi criada para sanear as contradições internas do capitalismo [quais?]. Não foi criada por vontade divina ou satânica, mas sim para garantir a estabilidade do próprio sistema capitalista [como?] isto é, impedir sua anarquia. Não por menos, quem salvou o sistema financeiro do colapso em 2007-8 foi o socorro público pela via da socialização dos prejuízos. Caso destitua a autoridade monetária, o sistema entraria em chilique na primeira esquina.” DESISTO!! EU NÃO VOU MAIS REFUTAR VOCÊ PORQUE VOCÊ NÃO MERECE ESSA HONRA. É incrível você não notar a imoralidade do que você fala. A crise econômica começou na Grécia devido ao líder do Partido SOCIALISTA!!, Alexis Tsipras, ter forçado, através da expansão de crédito, os bancos a fazerem empréstimos a quem não pode pagar. Procure no Youtube os vários vídeos de LIBERAIS xingando o Alexis na frente dele dentro do parlamento. Existem vários! “Socialização de prejuízos”?? Vai tomar no seu cu! A Grécia se fode e todo mundo paga o pato. Que bonito!
    -“Nesta lógica, é preciso entender o sistema de crédito e de gasto governamental como fenômeno fundamental do desenvolvimento econômico e social, e não como elemento draconiano da inflação. Por essas e outras razões, a fé emocional na austeridade fiscal é uma crença vulgar na estabilidade macroeconômica, que corrói o tecido social dos “filhos deste solo”.” Mais ladainha demagógica sem provas e que já foi refutada com base na Filosofia do Direito (direitos sociais – se é que existem, afinal não existe direito social que antes já não tenham sido garantidos ao individuo – são hierarquicamente inferiores aos direitos negativos).
    -“Para encerrar, se o pecado original do historiador é o anacronismo, o pecado original do economista liberal/ultraliberal é seu constante divórcio com a realidade – é o caso da escola austríaca.” Só se for na sua realidade. Na minha, as pessoas tem direitos naturais fundamentais de primeira dimensão, e estes prevalecem sobre todos os conseguintes. Como diria um grande amigo meu: ‘DAÍ O CARA ENTRA NA FACULDADE DE ECONOMIA. ESTUDA 5 ANOS, SE FORMA, PEGA O DIPLOMA PRA DEPOIS DIZER QUE A MELHOR MELHOR MANEIRA DE GERAR RIQUEZA É IMPRIMIR DINHEIRO…”

  4. Francisco Ramos disse:

    Marco Aurélio Danos, foi sintomático
    você reportar-se às idéias do pai da
    Macroeconomia, J M Keynes, como
    “seita”. Porque é exatamente o que
    representa a ” praxeologia ” de Mi
    ses, conceito totalmente destituído
    de historicidade. Não existe possibi
    ludade factual de sobrevivência do
    capitalismo sem intervenção está
    tal. Foi o intervencionismo estatal
    de Hamilton, Roosevelt e Jhonson
    que propeliram o desenvolvimento
    histórico do capitalismo americano,
    por exemplo. Com a crise do sub
    prime, novamente o Estado preci
    sou intervir. Apesar de não apreciar
    análises reducionistas , gostaria de
    alertá-lo que os postulados da “sei
    ta” austríaca nunca foram aplicados
    em uma sociedade humana. Eles, fa
    talmente , conduziriam à destruição
    da democracia, no vulcão do anarco
    capitalismo ,e da ruptura do contrato
    social.

  5. Então reduzir o Estado a níveis mínimos, segundo o Sr., “não haveria tais direitos sociais”? Quais direitos sociais? Veja o caso de Rio de Janeiro, que adotou todas as medidas concebidas por Lord Keynes e aplicados por seguidores dessa seita, tal como o senhor. Aumentaram os gastos do governo para gerar a famigerada demanda efetiva, construíram estádios e várias outras obras de infraestrutura, que é o supra sumo dos investimentos públicos, contudo o que ocorreu? Exatamente o contrário. E toda aquela propaganda de UPA Sr. Juliano? Se senhor for ao RJ, não vá somente ao Pão de Açúcar, Copacabana ou Leblon, faça uma visita ao Hospital Souza Aguiar e se delicie com o ótimo serviço de saúde prestado à população fluminense. O RJ está falido Sr. Juliano. E o pior de tudo, é que está ocorrendo uma socialização das perdas como defendido pelos propagandistas da intervenção como o Senhor, pois o governo federal está aportando recursos extorquidos de brasileiros de todos os estados para socorrer o governo carioca perdulário. Essa socialização é justa Senhor? Perceba que utilizando somente um caso isolado de um único estado da federação, desconstruimos seu argumento. Se analisarmos essas políticas intervencionistas, que visam garantir direitos sociais, em um nível mais amplo, o Senhor transferiria seu doutorado para a Universidade Rey Juan Carlos, em Madrid, onde o senhor aprenderá de fato um pouco de economia austríaca.

  6. serra88 disse:

    “Do contrário ao exposto, é óbvio que, se fôssemos submeter a economia política ao modelo de Estado mínimo, não haveria tais direitos sociais e os serviços seriam privados, o que privaria a ampla e esmagadora maioria da sociedade.”Falta embasamento teórico e empírico à essa afirmação. Na teoria uma moeda forte, não desvalorizada propositalmente por um banco central, em um mercado livre só poderia resultar em uma oferta mais ampla de serviços, o que os tornaria mais baratos. Isso associado à uma moeda com poder de compra crescente só favoreceria aos mais pobres, pois facilitaria o acesso a esses serviços. Na prática os serviços citados são péssimos e a população continua desassistida. Na empiria, países com menores interferências do Estado na economia são mais ricos, a populaçao tem uma qualidade de vida melhor e maior acesso aos serviços citados, vide Irlanda, Hong Kong, Nova Zelandia, Austrália, Suiça

    “Não por menos, quem salvou o sistema financeiro do colapso em 2007-8 foi o socorro público pela via da socialização dos prejuízos. Caso destitua a autoridade monetária, o sistema entraria em chilique na primeira esquina.” Você está defendendo manutenção de lucros privados e a socialização dos prejuízos?

    “Portanto, associar a expansão o crédito à inflação é uma blasfêmia.”Por favor embase essa afirmação e dê exemplos. TODOS os países que expandiram demasiadamente o crédito e por conseguinte sua base monetária viveram períodos iniciais de expansão econômica, seguida de bolhas e crise (vide crise de 2008) – mais informações a respeito pesquise a teoria austríaca dos ciclos econômicos.

    “Na prática, o gasto público é que permite a máquina capitalista continuar seu fluxo circular. Inibir o gasto público pelo mecanismo astuto de ajuste fiscal significa evocar a desgraça da ampla maioria da população, colocando-a para ser triturada pelo “moinho satânico”.”Irlandeses discordariam de você… Enquanto a Irlanda diminui seus gastos públicos e aumenta sua renda per capta, Espanha e Portugal continuam sofrendo com a crise… Por favor me explique por quê seu argumento está certo se a realidade o desmente.

    Parece que o divórcio com a realidade está do lado das suas idéias…

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