Brasil Debate

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Marco Aurélio Cabral Pinto

É professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, mestre em administração de empresas pelo COPPEAD/UFRJ, doutor em economia pelo IE/UFRJ. Engenheiro no BNDES e Conselheiro na central sindical CNTU. É colunista do Brasil Debate

 
Marco Aurélio Cabral Pinto

O ‘golpe dos corruptos’ e o neoliberalismo no Brasil

As velhas oligarquias nacionais que tomaram o poder do PT esbarraram na ameaça de um golpe dentro do golpe, organizado pelos prepostos dos banqueiros, mas recuperaram fôlego, o que altera o tabuleiro para 2018

Cumpre-se lembrar que brasileiros foram aqueles que aqui se estabeleceram com o objetivo de ordenar a exportação do pau-brasil. Havia ferreiros, marceneiros, açougueiros, assim como brasileiros, aos quais cabia o fornecimento da valiosa madeira. Eram então poucos, mas, a eles, progressivamente, se incorporaram índios Tupi-Guarani, que enxergaram nos portugueses poderosos aliados contra adversários de etnias diversas, conhecidas como Jê.

Portanto, na origem do Brasil se encontra a inserção como elemento subordinado na hierarquia poder-dinheiro internacional. Aos dominadores externos importou, ao longo de toda a formação histórica, que as elites aliadas locais promovessem a ordem social para boa organização da produção.

Este estado de coisas durou até a crise de 1929. O colapso verificado em muitas nas economias de mercados colocou em xeque a “vocação agrícola” brasileira e permitiu, aos mesmos interesses escravagistas paulistas, o “milagre” da industrialização. Entre 1930 e 1980 o Brasil esteve entre os países que mais cresceram economicamente no mundo. Em grande parte este salto foi propelido por políticas que favoreceram a industrialização e a construção civil pesada.

A partir dos anos 1980, contudo, a amplitude da oscilação de poder nos EUA tornou-se progressivamente maior. Interesses financeiros ocuparam o núcleo de poder fazendário entre 1980 e 2000 e entre 2008 e 2016. Já os interesses da indústria (do petróleo) tomaram-no de volta de maneira mais ou menos tempestiva. Assim o foi em 2000, quando houve severas acusações de fraude eleitoral, e em 2016, com a vitória de Mr. Trump.

Com isso, nos últimos 35 anos, não apenas a estratégia norte-americana tem oscilado entre polos divergentes, mas igualmente a estabilidade do sistema-mundo tem sido empurrada para domínios perigosos.

Ao menos desde os anos 1980, o Brasil tem espelhado sincronismo político com os dominadores externos. O restabelecimento da democracia no início dessa década no Brasil conservou no poder amplo grupo oligárquico com interesses sobre porções do território. Prefeitos e governadores passaram a ser eleitos novamente com a bênção dessas oligarquias da terra.

Apenas a partir de meados dos 1990 é que se tornou possível, para os interesses hegemônicos nos EUA, imposição de agenda neoliberal sincronizada com outros países subdesenvolvidos. O “período da globalização” foi atrasado e atenuado no Brasil devido a leniente interferência da oligarquia do PMDB. Desde 1930 as oligarquias brasileiras perceberam vantagens na associação com interesses promotores de emprego e renda no ambiente interno. A razão é a maior facilidade de eleição por “obras realizadas” ou por “bem-estar social”. Já os interesses financeiros introduzem inevitavelmente insatisfação social por defenderem agenda neoliberal, por meio da qual apenas uma minoria próspera é premiada.

De 2003 até 2015 prevaleceram no Brasil novamente os interesses industriais e de construção civil. A Petrobras tornou-se parte do seleto grupo de petroleiras internacionais. O primeiro campo leiloado no pré-sal recebeu o nome de Libra que, na astrologia, significa harmonia nas relações internacionais.

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G. W. Bush e Lula tiveram em comum a referência aos gastos públicos como motor do emprego e da renda, com entorpecimento da agenda neoliberal. Já a diferença entre G. W. Bush e D. Trump é que o segundo enfrenta diretamente os interesses financeiros ao explicitar as ligações com a mídia corporativa.

No Brasil, em 2015, o “Golpe dos Corruptos” aproximou a oligarquia brasileira novamente dos interesses financeiros com objetivo de ocupar interinamente a presidência até 2018. Com instrumentos de espionagem da NSA na Polícia Federal, mais de um juiz-político e a luxuosa ajuda da mídia, não foi difícil levar as preconceituosas camadas médias urbanas a apoiarem o golpe.

O que o PMDB não esperava é que os prepostos políticos dos banqueiros se organizassem para golpe dentro do golpe. Uma vez removida a presidente eleita, o objetivo de São Paulo passou a ser eliminar a velha oligarquia fisiológica da sólida posição histórica que ocupa dentro da federação.

A morte de magistrado do Supremo Tribunal Federal parece mostrar que isso não será possível. Aparentemente, a oligarquia brasileira ganhou tempo para negociar, junto aos interesses financeiros, saídas que preservem o ordenamento social e a continuidade da produção e do consumo no país. Estas saídas passam pela completa subordinação dos governadores de Estado, deputados e senadores à agenda de privatização e de ajuste fiscal.

A reviravolta na política norte-americana, contudo, parece vir ao encontro dos interesses industriais até 2015 representados pelo PT. A velha indústria automotiva, que D. Trump elegeu como prioritária (questão do México), teve em Lula afinidade e apoio aqui no Brasil. Aliás, Lula tem trajetória política iniciada no poderoso setor automotivo. Da mesma maneira, a ênfase na construção civil pesada atribuída nos EUA de D. Trump favorecerá inexoravelmente as construtoras brasileiras como interlocutores com interesses convergentes.

Em síntese, o nome que vier a substituir M. Temer deve preparar as eleições de 2018 em ambiente que induz a formação de novo pacto político entre a esquerda do PT e a velha oligarquia federalista brasileira.

Crédito da foto da página inicial: EBC

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4 respostas to “O ‘golpe dos corruptos’ e o neoliberalismo no Brasil”

  1. Marco Aurélio Cabral Pinto Marco Aurelio disse:

    Agradecido. Abraço.

  2. Pedro Augusto Pinho disse:

    GOVERNO E MÍDIA

    EXPRESSÃO MAIOR DA HIPOCRISIA QUE HOJE PREJUDICA O PAÍS

    Pedro Augusto Pinho *

    Ao iniciar este artigo sobre a farsa que domina nossa sociedade, pensava em desenvolver a relação da imprensa com o Poder. Afinal, o mais antigo exemplo que se tem notícia vem do imperador Julio Cesar ao divulgar as “Acta Diurna”, com as informações e as ordens que lhe interessavam dar conhecimento ao povo de Roma. Mais tarde, nos primórdios da era cristã, foram os chineses quem divulgaram os fatos dos poderosos nas “Notícias Diversas”, que eles celebraram, nos anos 1900, o primeiro milênio das suas impressões.

    Parece óbvio que o Poder sempre se dispôs e investiu em dar informações que protegessem e defendessem seus próprios interesses. E esta situação perdurou mesmo quando a tecnologia e a diversidade de objetivos permitiram chegar ao conhecimento das pessoas, a minoria letrada, informações e interpretações diferentes sobre os mesmos acontecimentos.

    Mas a situação que vivenciamos, desde a segunda metade do século XX e com crescente e total domínio, é da desinformação como instrumento do Poder. Não me recordo, nem nas narrativas da imprensa em regimes totalitários, de situação semelhante. Um fenômeno facilmente constatável pelos que pesquisarem está na quantidade de jornais existentes no Brasil nos anos 1950 e sua relação com a população alfabetizada e a realidade desta segunda década do século XXI. A concentração, de recursos, de ganhos e da informação, é um objetivo do Poder que desde então se implantou.

    Mas que Poder é este que domina toda divulgação da informação, não só a jornalística mas a produzida nas academias? É o Poder que foi corrompendo os governos, foi se infiltrando nos negócios, foi controlando as ações, de início econômicas, mas rapidamente as políticas, sociais e culturais, tornando-se, a partir de 1990, a ditadura planetária: o sistema financeiro internacional, a banca.

    O que acompanha esta ditadura é a desmoralização, a desconstrução de todas as críticas e ideias que lhe sejam opostas. Ainda recentemente assisti um vídeo de 1995, onde o doutor Enéas Carneiro nominalmente denunciava o “sistema financeiro internacional” como responsável pela alienação do patrimônio brasileiro e antevia o esgarçamento social que seu empoderamento traria para o Brasil. Ora o médico Enéas Carneiro era dado como extravagante, populista ou como um nazifascista, para que suas denúncias, em momento algum, fossem levadas a sério. E digo com a tranquilidade de quem não se filiava entre seus seguidores.

    A banca se assenhoriou da mídia, mas, e principalmente, do controle das informações. Ela é, utilizando os recursos dos países onde domina os governos, a mais poderosa fonte de espionagem, de informação e contrainformação do mundo contemporâneo. E, como aponta com precisão Viviane Forrester (Uma Estranha Ditadura, UNESP, 2001) é uma forma de totalitarismo, envolta numa moldura democrática, onde a produção é substituída pela especulação e, sobre a farsa de fatalidades econômicas, as crises vão açambarcando os ganhos de todos os agentes econômicos e os concentrando no sistema financeiro.

    Ora, meu caro leitor, quem em sã consciência apoiaria um modelo que elimina o trabalho, prioriza o lucro, independentemente de sua legalidade ou legitimidade, adota salários ínfimos e ao fim provoca guerras controladas e mortes? E sob a fantasia liberal e democrática?

    Vê-se pois que é indispensável o controle social da comunicação de massa. A mídia concentrada em poucas mãos, para sua maior efetividade, para a otimização de custos e garantia de ganhos, e, como óbvio, para a manutenção pela mentira, pelo embuste, pela hipocrisia daqueles governantes que lhe são favoráveis e seus colaboradores, é inaceitável na democracia.

    O jornalista Armando Rodrigues Coelho Neto aponta que “o pensamento único da sociedade brasileira parece imposto de forma coronelesca pelas famílias Abravanel (SBT), Barbalho (RBA), Dallevo e Carvalho (Rede TV), Civita (Abril), Frias (Folha), Levy (Gazeta), Macedo (Record), Marinho (Globo), Mesquita (O Estado de S.Paulo), Queiroz (SVM), Saad (Band), Sarney (TV Mirante?) e Sirotsky (RBS)”. E acrescento que estas 14 famílias não distribuem igualmente a propagação dos engodos. A família Marinho deve representar perto de dois terços ou três quartos do alcance das divulgações. A concentração e a banca estão sempre juntas.

    Ainda o citado jornalista agrega que “técnica e legalmente, a concessão para a exploração TV é de 15 anos (rádios dez) renováveis por igual prazo, desde que cumpram exigências. Entre elas privilegiar educação, cultura nacional e regional, não formar monopólio ou oligopólio de propriedade, contemplando ainda aspectos de cunho moral, financeiro e fiscal.” Parece até uma provocação aos brasileiros de boa fé e capazes de avaliar a atrocidade que se comete contra o País. Continua Coelho Neto: “Renovações de outorgas de concessões de TV e rádios continuam um mistério”, não conhecêssemos o Poder da banca.

    Agora, o governo golpista além de derramar milhões de reais do dinheiro público nesta mídia oligárquica, noticia a taxação da comunicação concorrente (Netflix, youtube) e a censura na internet.

    Este concubinato da mídia com o governo golpista resulta na ignorância popular sobre o desastre que já ocorre no Brasil e em tempos ainda piores que teremos que enfrentar.

    * Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

  3. Pedro Augusto Pinho disse:

    O dispositivo Clinton para desacreditar Donald Trump

    Thierry Meyssan *

    Este artigo é uma advertência : em Novembro de 2016, um vasto sistema de agitação e de propaganda foi montado para destruir a reputação e a autoridade do Presidente Donald Trump desde o momento em que chegasse à Casa Branca. É a primeira vez que uma tal campanha é cientificamente organizada contra um presidente dos Estados Unidos e com tais meios. Sim, nós entramos numa era de pósverdade, mas os papeis dos protagonistas não são os que vocês pensam.

    Rede Voltaire | 1 de Março de 2017

    David Brock é considerado como um dos mestres da agit-prop (agitação & propaganda) do século 21. Personalidade sem escrúpulos, tanto pode defender uma causa como destruí-la, segundo as necessidades do seu empregador. Ele está à cabeça de um império da manipulação de massas.

    A campanha conduzida pelos padrinhos de Barack Obama, de Hillary Clinton e da destruição do Médio-Oriente Alargado, contra o novo Presidente norte-americano prossegue. Após a marcha das mulheres de 22 de Janeiro, uma marcha pela ciência deverá ter lugar não apenas nos Estados Unidos, mas também no conjunto do mundo Ocidental, a 22 de Abril. Trata-se de mostrar que Donald Trump não é somente misógino, mas, também obscurantista.

    Que ele seja o antigo organizador do concurso Miss Universo e que seja casado com uma modelo em terceiras núpcias prova que ele despreza as mulheres. Que o Presidente conteste o papel de Barack Obama na criação da Chicago Climate Exchange-Bolsa Climática de Chicago (muito antes da sua presidência), e rejeite a ideia segundo a qual as perturbações climáticas são causadas pela liberação de carbono na atmosfera, atestam que ele não sabe nada de ciência.

    Para convencer a opinião pública norte-americana da insanidade do Presidente, o qual disse desejar a paz com os seus inimigos e colaborar com eles para a prosperidade econômica internacional, um dos maiores especialistas da agit-prop (agitação e propaganda), David Brock, colocou em ação um impressionante dispositivo, antes mesmo da investidura.

    Na altura em que ele trabalhava por conta dos Republicanos, Brock lançou contra o Presidente Bill Clinton aquilo que viria a ser o Troopergate, o caso Whitewater e o caso Lewinsky. Tendo virado a casaca, ele está agora ao serviço de Hillary Clinton, para a qual já organizou tanto a demolição da candidatura de Mitt Romney como a defesa dela no caso do assassinato do embaixador dos E.U. em Bengazi (morto pela Al-Caida na Líbia- ndT). Durante as últimas primárias, foi ele que dirigiu os ataques contra Bernie Sanders. A The National Review qualificou Brock «de assassino de direita tornado assassino de esquerda».

    Importa lembrar que os dois procedimentos de destituição («impeachment»-ndT) de um presidente em exercício, lançadas após a Segunda Guerra Mundial, foram a favor do Estado Profundo (sistema de inteligência estadunidense e seus financiadores NdT) e não, de modo nenhum, da Democracia. Assim, o Watergate foi totalmente dirigido por um certo «garganta funda», que se revelou 33 anos mais tarde ser Mark Felt, o adjunto de J. Edgar Hoover, o Diretor do FBI. Quanto ao caso Lewinsky, não foi senão um meio para forçar Bill Clinton a aceitar a guerra contra a Iugoslávia.

    A campanha atual é organizada nos bastidores por quatro associações:

    Media Matters («Os Média são Importantes») está encarregada de desencantar os erros de Donald Trump. Vocês irão ler, diariamente, o boletim deles nos jornais : o Presidente não é confiável, ele enganou-se em tal e tal assunto;

    American Bridge 21st Century («A Ponte Americana do Século 21») reuniu mais de 2. 000 horas de vídeo mostrando Donald Trump durante vários anos e mais de 18. 000 outras horas de vídeo sobre membros do seu gabinete. Ela dispõe de meios tecnológicos sofisticados concebidos para o Departamento de Defesa –-e, em princípio, não existentes no mercado –-permitindo-lhe pesquisar contradições entre as suas declarações precedentes e as suas posições atuais. Ela deverá estender os seus trabalhos a 1.200 colaboradores do novo Presidente;

    Citizens for Responsibility and Ethics in Washington — CREW («Cidadãos pela Responsabilidade e Ética em Washington») é um gabinete de juristas de alto nível que devem rastrear tudo o que poderia causar escândalo à Administração Trump. A maior parte dos advogados desta associação trabalham gratuitamente pela causa. Foram eles que prepararam a queixa de Bob Ferguson, o Procurador-Geral do Estado de Washington, contra o decreto sobre a imigração;

    Shareblue («A Partilha Azul») é um exército eletrônico que envolve já 162 milhões de internautas nos Estado Unidos. Está encarregado de propagar temas fixados de antemão, entre os quais:

    • Trump é autoritário e ladrão;.
    • Trump está sob a influência de Vladimir Putin;.
    • Trump tem uma personalidade instável e colérica, é um maníaco-depressivo;

    • Trump não foi eleito pela maioria dos Norte-americanos, ele é pois ilegítimo;
    • O seu Vice-presidente, Mike Pence, é um fascista;
    • Trump é um bilionário que não parará de ter conflitos de interesse entre os seus negócios pessoais e os de Estado;
    • Trump é uma marioneta dos irmãos Koch, os celebres financeiros da extrema-direita;
    • Trump é um supremacista branco que ameaça as minorias;
    • A oposição anti-Trump não cessa de crescer para lá de Washington;
    • Para salvar a democracia, apoiemos os parlamentares democratas que atacam Trump, arrasemos aqueles que cooperam com ele;
    • Há que fazer a mesma coisa com os jornalistas;
    • Derrubar Trump vai exigir tempo, não abrandemos o combate.

    Esta associação produzirá newsletters e vídeos de 30 segundos. Ela irá apoiar-se em dois outros grupos : uma empresa de documentários de vídeo, The American Independent (O Americano Independente), e uma unidade de estatísticas Benchmark Politics (Política Comparativa).

    O conjunto deste dispositivo —montado durante o período de transição, quer dizer, antes da chegada de Donald Trump à Casa Branca— emprega já mais de 300 especialistas, aos quais se devem juntar inúmeros voluntários. O seu orçamento anual, inicialmente previsto em 35 milhões, foi aumentado para atingir cerca de US $ 100 milhões de dólares.

    Destruir assim a imagem —e portanto a autoridade— do Presidente dos Estados Unidos, antes que ele tenha tempo de fazer seja o que for, pode ter consequências muito graves. Ao eliminar Saddam Hussein e Muammar Kaddafi, a CIA mergulhou os respectivos países num longo caos, e o «país da Liberdade», ele próprio, poderia ser gravemente atingido por uma tal operação. Jamais, este tipo de técnicas de manipulação de massas tinha sido usado contra o chefe de fila do campo ocidental.

    De momento, este plano funciona: nenhum líder político a nível mundial ousou congratular-se pela eleição de Donald Trump, à exceção de Vladimir Putin e Mahmoud Ahmadinejad.

    *Thierry Meyssan, escritor e jornalista francês

    Tradução Alva (Portugal)

  4. MILTON FERNANDES DA SILVA _ disse:

    muito bom testo

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