Brasil Debate

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Redistribuição de renda

O crescimento puxado pelo consumo se esgotou?

O debate acerca de modelos alternativos de crescimento econômico para o Brasil tem revelado a quase unânime posição de que o modelo de crescimento puxado pelo consumo doméstico teria se esgotado.

Artigo de Celia Lessa Kerstenetzky, da Universidade Federal Fluminense (UFF), argumenta, no entanto que, dados os inaceitáveis níveis de desigualdade brasileiros, essa discussão deve levar em conta as brechas de consumo necessário da população brasileira: tais brechas sugerem ainda haver um importante espaço para redistribuição e avanço na provisão de bens públicos sociais para contribuir para o crescimento econômico com equilíbrio social e sustentabilidade ambiental.

Segundo a autora, tudo indica que o Brasil passou por um processo de crescimento redistributivo na última década. Uma análise da distribuição por décimos de renda com base na PNAD revela que, ao final da última década, enquanto a renda apropriada pelos 10% mais ricos se contraiu em 5%, a dos 10% mais pobres se expandiu em mais de 30% (ver tabela abaixo).

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quadro dist renda

Mas, apesar da redução das desigualdades de renda nos últimos anos, segundo a autora, se adotarmos como ponto de vista as necessidades inerentes a um padrão de consumo decente, certamente o modelo de crescimento pelo consumo de massas não se esgotou.

Há espaço para a continuidade deste modelo, com ênfase no acesso a direitos e serviços públicos sociais, em acordo, inclusive, com os direitos definidos na Constituição brasileira.

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1 resposta to “O crescimento puxado pelo consumo se esgotou?”

  1. Antonio Elias Sobrinho disse:

    Apesar dessas evidências, o governo, tão logo eleito, foi convencido pelos conservadores, a maioria da própria base, de que aquela trajetória estava esgotada, que as contas públicas estavam com um rombo inaceitável, que alguns elementos perigosos, como a inflação estavam voltando e que o remédio teria que ser um reajuste fiscal que pudesse proporcionar um equilíbrio.
    Isso foi feito, à revelia de todos aqueles que, durante anos apoiaram o governo e se opuseram a qualquer iniciativa dessa natureza.
    Agora a Presidente anda, por todos os lugares, tentando convencer a todos que esse reajuste é diferente e que é necessário para uma retomada do desenvolvimento em novas bases.
    Hoje, apesar de ainda ser cedo para uma avaliação melhor, todos os sinais e sintomas indicam que essa justificativa é um engodo e que, se ela continuar trilhando esse caminho, não só essa crise pode se aprofundar e seu mandato passa a correr grande risco porque nenhum governante consegue, por muito tempo, conviver com a magnitude do desgaste que está ocorrendo.

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