O autor traz dados que mostram a importância do papel do BNDES no aumento do investimento direto brasileiro no exterior e na exportação de serviços de construção e infraestrutura para diversos países.
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Brasil Debate

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Guilherme Ramon Garcia Marques

É cientista político, mestrando em Economia Política Internacional pelo IE/UFRJ, analista acadêmico da Dint/FGV e membro da “Red de Jóvenes Líderes de la UNASUR por un Desarrollo Integral y para la Integración Regional”

 
Guilherme Ramon Garcia Marques

O BNDES e a expansão internacional da economia brasileira

Desde 2002, a atuação do BNDES no estímulo à expansão do capital brasileiro no exterior, em especial na América do Sul – mediante participação acionária e compra de debêntures – tem viabilizado a aquisição de grandes concorrentes internacionais por empresas brasileiras

27/08/2015

Em meio à conjuntura de crise política e econômica que se desdobra no Brasil ao longo do ano de 2015, o BNDES vem sendo constantemente alvo de sistemáticos ataques e críticas. Sobretudo, por conta de sua atuação no financiamento da inserção e da promoção da competitividade de grandes empresas brasileiras (a chamada política de campeões nacionais).

Do ponto de vista da expansão internacional da economia brasileira, contudo, evidencia-se, desde 2002, uma significativa expansão do investimento direto brasileiro no exterior, reflexo do aumento substancial da participação de empresas nacionais no exterior, paralelamente a uma também evidente expansão da capacidade de financiamento do BNDES.

grafico1_invest direto

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A atuação do BNDES no estímulo deste processo de expansão do capital brasileiro no exterior, em especial na América do Sul – mediante participação acionária e compra de debêntures – viabilizou a aquisição de grandes concorrentes internacionais por parte de empresas brasileiras.

São exemplos as compras de 58,62% das ações do grupo de energia e petróleo argentino Pérez Companc pela Petrobras; de 91,18% do pacote acionário da cervejaria Quilmes pela AmBev; de 85,3% da empresa de frigoríficos argentina Swift Armour pela Friboi; além da aquisição da MinCo pelo grupo Votorantim e SiderPeru pela Gerdau, respectivamente maiores companhias mineira e siderúrgica do Peru.

A atuação do BNDES também foi fundamental para a exportação de serviços de construção e infraestrutura para países como Argentina, Peru, Equador, Venezuela, Cuba, Panamá, Estados Unidos, Angola, entre outros, contribuindo robustamente para a expansão geográfica de empresas brasileiras no mundo.

grafico3_ranking empresas

Neste processo, o BNDES passa a adquirir participação acionária em algumas das empresas beneficiadas, por meio da subsidiária BNDESPar (BNDES Participações S. A.). O que contribui para a elevação de investimento em setores de importância estratégica para o país e para a continuidade da expansão das empresas.

quadro_particip capital

Nesse sentido, é nítida a importância do papel do BNDES no progresso econômico do país. Eventuais medidas que culminem no enfraquecimento operacional do BNDES se refletirão imediatamente no enfraquecimento da capacidade do estado brasileiro em conduzir o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

 

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2 respostas to “O BNDES e a expansão internacional da economia brasileira”

  1. Antonio Elias Sobrinho disse:

    O BNDES, como todos os órgãos públicos que possuem dinheiro ou patrimônio significativo, acabam servindo mais aos interesses privados do que ao interesse público, sobretudo aquele ligado mais diretamente às necessidades da população pobre.
    Não quero dizer que ele, como banco, deveria emprestar dinheiro aos pobres porque não teria o retorno, e sim que seus empréstimos fossem encaminhados para projetos governamentais ou de empresas comprometidas com um mínimo de seriedade e de idoneidade e, além disso, vinculadas às questões gerais, coletivas.
    Ao invés disso, é uma instituição vulnerável a todo tipo de influências de pessoas importantes e de corporações para estimular inciativas privadas ou salvar massas falidas à fundo perdido que a sociedade nunca sabe os resultados.
    Finalmente, quero dizer que, como banco público, porque permanece como algo enigmático, que não se abre para uma socialização de suas atividades para que o público tenha conhecimento e possa opinar sobre suas ações?

    • Guilherme Ramon Garcia Marques disse:

      Caro Antonio,

      Antes de tudo, obrigado por seu comentário.

      É nítido que o BNDES atende a interesses de empresas privadas. Mas até que ponto isso necessariamente exclui o interesse público/nacional?

      O porto de Mariel não teria importância estratégica para o Brasil, por sua localização geográfica e futura importância comercial, sobretudo após o recente reatamento de relações diplomáticas entre EUA e Cuba e o interesse chinês na construção do Canal da Nicarágua? Os financiamentos do BNDES não se mostram imprescindíveis para o incremento da competitividade das empresas brasileiras no exterior? A atuação de empresas brasileiras em países como Angola, EUA e nossos vizinhos sul-americanos não tem sua importância crucial, contribuindo para a demanda de produtos e serviços nacionais e abrindo caminho para a geração de empregos e o fortalecimento de nossa economia? Todos esses pontos não poderiam também ser encarados como de interesse público, pelas potencialidades a nível de desenvolvimento que lhes são inerentes?

      Em relação a transparência, O BNDES já disponibiliza na internet informações sobre as suas operações (nome do cliente, setor de atividade, objetivos do projeto e o valor contratado, bem como taxas de juros, prazos de pagamento e garantias das operações. Ressalto que todas as informações que utilizei para elaborar esse artigo estão disponibilizadas nos sites e relatórios do BNDES e podem ser facilmente acessíveis. Nesse sentido, o BNDES já pode ser considerado como um dos bancos de fomento mais transparentes do mundo.

      Agora, talvez seja necessário alguma cautela na hora de considerar alguns pontos em relação a transparência: seria válido que o BNDES disponibilizasse informações estratégicas das empresas beneficiadas e de suas operações, sendo que nenhum banco de fomento mundo afora o faz? Em um mundo onde a competitividade é assegurada pela informação, uma transparência ampla e irrestrita sso não significaria entregar informações operacionais indispensáveis para o sucesso das empresas brasieiras no exterior?

      Creio que pensar estas questões é de suma importância para a atuação do BNDES, em sua missão para impulsionar o desenvolvimento brasileiro.

      Abraços,
      Guilherme

Comentários