Brasil Debate

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Cláudio da Costa Oliveira

É economista aposentado da Petrobras

 
Cláudio da Costa Oliveira

Entregar o pré-sal: a grande traição

Brasileiro tem o hábito de criticar o seu país. Mas pior do que criticar é trabalhar contra ele, como vemos no caso do pré-sal. A existência de uma mídia dirigida por interesses estrangeiros não deveria induzir os brasileiros a aceitar dar “de mão beijada” recursos naturais de tamanha relevância

Conteúdo especial do projeto do Brasil Debate e SindipetroNF Diálogo Petroleiro

Ninguém escolhe pai e mãe. Mas sejam eles ricos ou pobres, feios ou bonitos, cultos ou incultos, a maioria de nós sente a necessidade de honrá-los.

Honrar pai e mãe não é somente respeitá-los, mas também protegê-los e assisti-los nas suas necessidades, como eles fizeram por nós na infância.

Da mesma forma, ninguém escolhe um país para nascer, mas em maioria entendemos que devemos honrar e defender nossa pátria, tenha ela os problemas que tiver.

O brasileiro tem o hábito de criticar seu país, olhando sempre só os aspectos negativos. Outros países com problemas muito maiores são enaltecidos por seus cidadãos. Talvez o patriotismo se desenvolva pelo enfrentamento de problemas coletivos como guerras, terremotos, tsunamis etc. Coisas que os brasileiros não conhecem.

Mas pior do que criticar seu país é trabalhar contra ele, como vemos no caso do pré-sal. A existência de uma mídia dirigida por interesses estrangeiros não deveria induzir os brasileiros a aceitar dar “de mão beijada” recursos naturais de tamanha relevância.

O fato de terem ocorrido problemas de corrupção e até de má administração na Petrobras, não pode servir de justificativa para que se cometam erros ainda maiores.

Alguém já disse: “A nação que não consegue explorar por conta própria e adequadamente seus recursos naturais jamais será independente.”

É preciso entender que existe uma mídia orquestrada trabalhando sistematicamente em apoio a empresas estrangeiras.

O pré-sal foi descoberto pela utilização de tecnologias próprias da Petrobras, desenvolvidas por seus geólogos e geofísicos.

O primeiro campo no pré-sal (Libra) era uma concessão que foi abandonada e devolvida pela Shell para a ANP, após insucesso na sua exploração. A Petrobras, conhecedora das perspectivas, assumiu aquela concessão e chegou ao pré-sal.

Posteriormente, no desenvolvimento do campo de Jubarte, a jornalista Miriam Leitão já começava a mostrar sua torcida contra a Petrobras e em artigo (set/2008) afirmava: “Antes será preciso dirimir inúmeras dúvidas técnicas sobre a viabilidade da exploração” e “apesar de todo este oba-oba, o fato é que a produção da Petrobras em 2007 caiu e este ano cresceu míseros 2%”. Disse ainda: “Para explorar o pré-sal, a Petrobras precisará adquirir tecnologia no exterior, pois não sabe extrair óleo em tais profundidades. Muitos técnicos deverão vir de fora.”

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Também em setembro de 2008 Carlos Alberto Sardenberg completava: “Petróleo do pré-sal só existe na campanha do governo”. De lá para cá, a mídia perniciosa combateu o desenvolvimento do pré-sal sem nenhum pudor.

A campanha no Brasil ganhou eco até no exterior e, no início de 2014, o Washington Post vaticinava: “A euforia brasileira com o pré-sal é um tiro de festim, pois a existência das reservas é questionável e, caso o petróleo exista, vai demorar a jorrar.”

Hoje sabemos que tudo o que diziam eram inverdades. A Petrobras desenvolveu suas próprias tecnologias pelas quais recebeu as maiores premiações dadas na área de petróleo e já alcançou a produção de 1 milhão de barris dia no pré-sal, com custo de extração inferior ao obtido por todas as outras majors.

Mesmo assim, aproveitando os problemas surgidos com a Lava Jato e os balanços da Petrobras “maquiados” em 2014 e 2015, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, no final de abril de 2016, profetizou: “Quebraram a estatal,vamos falar francamente : a Petrobras só não está em pedido de recuperação judicial porque é estatal. Todo mundo espera que em algum momento o governo imprima dinheiro para capitalizar a empresa.”

Nada disso aconteceu e nem vai acontecer. Todas estas notícias têm o único objetivo de levar a opinião pública a aceitar passivamente a entrega do pré-sal para empresas estrangeiras.

Abrahan Lincoln disse: “Só tem direito de criticar aquele que pretende ajudar.” Claramente, os jornalistas citados não têm nenhuma intenção de ajudar a Petrobras.

A Petrobras não tem nenhuma necessidade de acelerar a produção no pré-sal. O consumo brasileiro já está plenamente atendido. Produções adicionais terão de ser exportadas e sem grandes vantagens, pois o preço do barril está baixo. Então, qual a justificativa para esta pressa em transferir as reservas para o capital estrangeiro? O mínimo que podemos dizer é que se trata de um crime de lesa-pátria.

É necessário que nossos parlamentares fiquem atentos para o fato de que a aprovação do projeto de lei 4567/16 do José Serra é uma verdadeira traição ao país.

Com a Petrobras, o Brasil tem competência para explorar o pré-sal sem a ajuda de ninguém. Isto já está mais do que demonstrado. Entregar nossos recursos naturais desta forma é um desrespeito à nação.

Aprovar o PL 4567 é esquecer todos os esforços dispendidos por nossos antepassados na construção de um Brasil melhor.

Aprovar o PL 4567 é rasgar nossa bandeira e apagar nosso hino, pois “o filho deste solo” estará desonrando “a mãe gentil”.

Crédito da foto da página inicial: Ricardo Stuckert

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2 respostas to “Entregar o pré-sal: a grande traição”

  1. Cesar Del Lucchese disse:

    A primeira descoberta do presal não foi Libra, foi Parati (RJS 617), a segunda foi em Tupi (RJS 628 atual Campo de Lula).
    Libra foi o primeiro bloco da partilha, onde ja havia uma descoberta feita pelo poço ANP 2 perfurado pela Petrobras.
    Abç Lucchese

  2. Ruy Mauricio de Lima e Silva Neto disse:

    Inacreditável a fúria com que se arremessam estas forças anti-nacionais.Inacreditável que a reação e a indignação ainda sejam tão pífias e localizadas.Justamente o nosso maior orgulho na área da economia, da educação e saúde, possivelmente a última oportunidade histórica de levar estes dois últimos ítens a toda essa nossa enorme população JÁ ESTEJA SENDO entregue ao capital internacional.Fomos já sobejamente espoliados, no passado,durante os ciclos do pau-brasil, do ouro, da mineração, agora seremos e JÁ ESTAMOS SENDO num setor que NÓS INVENTAMOS, partindo do ZERO e contando exclusivamente com recursos humanos e materiais BRASILEIROS.Tudo isso para que? Para que meia-dúzia de apátridas argentários dê de presente, após um golpe de estado, ao capital financeiro internacional, o mesmo que atualmente asfixia o planeta, levando desordem, desemprego,falências, crimes e terrorismo a rigorosamente todos os continentes.Ficou famosa no Japão uma série cinematográfica denominada “É Triste ser Homem”.Quando tomei conhecimento dela, aos 20 anos de idade, achei o título um pouco exagerado. Hoje não apenas entendo o que o autor quis dizer e acrescento: meu caro Yamada, existe algo ainda mais triste do que ser homem. É ser homem e brasileiro.

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