Para o autor, além da possível candidatura de Lula em 2018, surge uma nova esperança entre as forças progressistas: Ciro Gomes e o PDT, partido que é o herdeiro do trabalhismo autêntico e, assim como o PT, um partido orgânico com construção teórica de esquerda.
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Brasil Debate

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Cássio Moreira

É economista, doutor em Economia do Desenvolvimento (UFRGS) e professor do IFRS – Câmpus Porto Alegre

 
Cássio Moreira

Ciro Gomes e o PDT: um casamento perfeito

Vivemos o desafio de manter e aprofundar um projeto trabalhista num contexto político cada vez mais conservador. Uma alternativa pode ser continuar o projeto sob o comando de outro partido, que não o PT. No caso, o PDT com Ciro Gomes

Partindo da visão de Moniz Bandeira, de que o trabalhismo é a versão brasileira da social-democracia europeia, acredito que o PT, a partir de 2006-2007, tenha começado a se tornar um partido trabalhista (social-democrata). Embora falte a ele uma maior defesa do nacionalismo, característica dos governos trabalhistas de Vargas e Goulart.

O PT surgiu a partir da organização sindical de operários no final da década de 1970, dentro do vácuo político criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de esquerda existentes. Desde a sua fundação, apresenta-se como um partido de esquerda que defende o socialismo como forma de organização social e econômica, embora cada vez mais se usa o termo para designar uma maior preocupação com o social.

Contudo, seu principal líder (Lula) nunca defendeu abertamente esse pensamento. Durante boa parte da sua existência, sempre teve uma postura crítica ao reformismo dos partidos políticos social-democratas (trabalhistas).

Sempre houve certa rivalidade entre PT e PDT, entretanto, muito é verdade, por falta de compreensão histórica do antigo PT. Foi um erro histórico o PT e Lula não terem apoiado Brizola à Presidência da República em 1989. Assim como poderá se tornar outro erro histórico o PT não apoiar Ciro Gomes e o PDT numa possível candidatura em 2018.

Embora, após a redemocratização, tenha sido o partido herdeiro das massas do velho PTB, foi a partir do final do primeiro mandato do governo Lula que passou a se tornar um partido social-democrata. De um primeiro governo (2003-2006) social-liberal passou a ganhar contornos de partido social-democrata (trabalhista) no segundo mandato de Lula (2007-2010).

O Brasil mudou muito nesses últimos 15 anos. Pela primeira vez conseguimos manter um período de crescimento com distribuição de renda. As políticas de inclusão social foram os grandes méritos desses governos. Entretanto, muitas questões ainda estão na pauta do dia. Como reformas estruturais e a desindustrialização do país.

Se é verdade que o saldo dos governos do PT é mais do que positivo, o saldo negativo é um profundo desgaste político, com a ausência injustificada de melhores comunicações sociais, e que alimentam a crise econômica atual. Natural para um partido que há tanto tempo está no poder e que é atacado de forma articulada e sistêmica pelos meios de comunicação, cujo objetivo principal é desconstruí-lo para barrar um projeto nacional de desenvolvimento.

O desafio posto é como manter e aprofundar um projeto trabalhista num contexto político cada vez mais conservador. Uma alternativa possível pode ser continuar o projeto com outro partido encabeçando.

Além da possível candidatura de Lula do PT para 2018, surge uma nova esperança nas forças progressistas: o casamento perfeito entre Ciro Gomes e PDT. O primeiro pode ter trocado de partido várias vezes, mas nunca trocou de lado. O segundo é o herdeiro teórico do trabalhismo autêntico e um partido orgânico e, conjuntamente com seu irmão, o PT, com construção teórica de esquerda.

O PT vive, assim como os demais partidos, um problema de renovação de quadros. O fato de ser governo traz ao partido a tendência de ir perdendo espaço no campo eleitoral. Seria muito bom, inclusive para o próprio PT, que surgissem forças políticas consistentes à sua esquerda.

Infelizmente, as alternativas existentes ainda não conseguiram superar o pragmatismo, a falta de um projeto consistente e viável à esquerda (baseado na doutrina trabalhista, pois esse é o único projeto viável de esquerda dentro do espectro capitalista) e a obsessão em eleger o PT como principal adversário.

O PDT pode e deve ser essa alternativa. Mas, pra isso, não deve ser uma alternativa ao PT ou antipetista, e sim uma alternativa de esquerda. Deve crescer cada vez mais ao lado do PT e, aos poucos e de forma natural, ser a continuação (e o aprofundar) desse projeto trabalhista em curso (inclusive com o apoio do próprio PT).

O projeto trabalhista atual tem como núcleo o fortalecimento do Estado, da distribuição de renda. O PDT é um partido que pode, finalmente, construir condições para avançar para as sempre atuais Reformas de Base.

Em síntese, o projeto trabalhista iniciou com Vargas, depois houve uma tentativa de aprofundamento com Goulart do PTB antigo, e estava sendo resgatado com Lula-Dilma do PT até a crise política de 2015. Mas pode ser continuado com Ciro Gomes e o PDT.

Conforme palavras da presidenta Dilma na campanha em 2010: “Nós podemos dizer hoje que somos a continuidade desse processo” (referindo-se à história do trabalhismo) e cita que o objetivo do seu governo é o mesmo do governo do ex-presidente João Goulart: “promover progresso com justiça, desenvolvimento com distribuição de renda”.

Data vênia, embora existam “reinos da verdade” espalhados por toda parte, essa é a minha opinião.

Crédito da foto da página inicial: EBC

 

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14 respostas to “Ciro Gomes e o PDT: um casamento perfeito”

  1. Karina Patrício disse:

    A única forma de conjugar a continuidade do projeto trabalhista com viabilidade eleitoral em 2018 é com unidade do campo nacionalista e popular brasileiro. O PT e o PDT serão protagonistas essenciais neste processo.

  2. Angelita Lopes disse:

    Boa tarde Senador Ciro

    Hoje, escutei um programa de rádio em minha cidade, e para minha tristeza e constatação que o senhor é candidato a Presidência da República. Meu Deus, que horror! mais um desta galeria deprimente de candidatos , que eu e muitos de nós não iremos votar.
    Voltando, a falar do programa de rádio, nele os participantes, jornalistas, psicólogos, estavam comentando as falas do senhor candidato, que demonstra a falta de preparo, falta de condição psicológica, com tanta bobagem que o senhor vem falando.
    Que o senhor, não tem medo do Juiz Moro, e que se ele vier para o seu lado, o senhor irá recebe-lo com bala. Isto é algo abominável, e pra nós brasileiros, já desclassifica o senhor como candidato.
    Chega de tanta coisa ruim para o Brasil e no Brasil.
    E chega também este governo do PT de 13 anos, que afundou nosso país na lama da corrupção. Esta sendo demorado, para acabar com a imagem do país de corrupto e de impunidade.
    Graças a Deus, candidatos como o senhor e estes outros que estão ai concorrendo, nós só fazemos uma coisa. NAO VOTAMOS, e como diz a música. JOGA FORA NO LIIIXXO!!!!!

    • Mayrink disse:

      Meu amigo , se vc assistir aos jornais verá que as maiores quadrilhas , facções políticas , são o PMDB e PSDB . como vc vem falar que o PT afundou o país na lama da corrupção se a base covernista é PMDB E PSDB ? Olha recomendo que vc reveja seus conceitos e pense na política por uma ótica diferente , como o meio institucional de promover igualdade , não só benefícios eonomincos para a camada mais rica .

  3. Rosangela Rodrigues disse:

    Sou a Rosangela, pedagoga e especialista em arte e educação e trabalho em escola privada no RS.

  4. Luiz Facundo disse:

    Primeiramente, fora Temer! Precisamos iniciar uma articulação entre o PDT e os líderes sindicais do país e estou disposto de comprir essa missão! Não podemos deixar o sonho de Vargas acabar precisa unir as forças e lutar por um único ideal o direito dos trabalhadores!

  5. Josecy Ferreira Lessa disse:

    O PT foi engolido nessas eleições, o partido tá nocauteado e necessitado de novas propostas e pensamentos, a unica saída para o futuro promissor é apoiar sem restrições a candidatura de Ciro Gomes, a aliança dará a recuperação de credibilidade abalada e o fôlego para que o partido não seja abandonado em massa pelos seus componentes de peso, Ciro é a unica alternativa para a sobrevivência da sigla.

    • fatima s e disse:

      Ciro não falou o principal: Se terá peito de anular todos os atos do governo ilegitimo. Sim, pq se o agente é incapaz o ato é nulo desde sua origem. E Temer

      é um governo ilegitimo, nasceu de um golpe. Creio q ele não fará isso, dará

      continuidade as maldades de Temer.Se ele garantir que fará isso, terá meu apoio!

  6. egon h. musskopf disse:

    Convenhamos, esta “proposta” significa entregar o poder pra oposição. Por mais méritos que Ciro tenha, e ele tem muitos, é muita ingenuidade imaginar que a ida dele para o PDT, que depois de Brizola virou um vergonhoso balcão de negócios, de repente vai resgatar sua história só porque um novo trabalhista, sem nenhum vínculo histórico com o partido, entrou em suas fileiras.
    Acho que a leitura de ida de Ciro para o PDT é muito diferente desta “imaginada” pelo autor do texto. É esperar para ver. Mesmo que tantos confundam a pobre oratória da Dilma com “não ser política”, acho mais que Ciro no PDT é uma trama do Palácio (Dilma/Lula) para fo0rtalecer a sua base aliada, onde o PMDB é mero figurante e de quem cada voto precisa ser comprado e pago regiamente. Ciro vice de Lula em 2018. E o próprio autor terá acertado… “Deve crescer cada vez mais ao lado do PT e, aos poucos e de forma natural, ser a continuação (e o aprofundar) desse projeto trabalhista em curso (inclusive com o apoio do próprio PT)”. E estará no justo tamanho.

  7. paulo disse:

    diogo, unico desejo materializado em 89 foi o das organizaçoes marinho

  8. Adriana Gomes disse:

    Gostaria de saber mais sobre políticas sociais e administrativa, e qual a auternativa dada para o nosso governo , e como podem ser aplicadas nessa gestão atual.

  9. Daniel Duque disse:

    Vou falar que eu acho muito engraçado quem acha que realmente há chance de o PT apoiar o Ciro Gomes em 2018.

  10. Diogo Quirino disse:

    Vou fã de Ciro Gomes,mas não concordo que foi um erro o PT não ter apoiado BRizola em 1989,pois o mesmo já estava degastado e o país queria algo novo,desejo materializado na disputa acirrada entre Collor e Lula

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