Para uma corrente de críticos aos governos do PT, o Programa Bolsa Família (PBF) parece ser o eterno calcanhar de Aquiles dessas gestões. Mesmo depois de quase 15 anos de existência bem-sucedida.
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Brasil Debate

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Janaína Selva

A verdade sobre o Bolsa Família

O programa, que além de combater a fome tem impactos comprovados na redução da desigualdade social, na queda da mortalidade infantil, no aumento da matrícula escolar e na redução da repetência escolar, tem um custo baixo: 0,45% do PIB

10/04/2018

Para uma corrente de críticos aos governos do PT, o Programa Bolsa Família (PBF) parece ser o eterno calcanhar de Aquiles dessas gestões. Mesmo depois de quase 15 anos de existência bem-sucedida, quando se deseja criticar os governos Lula/Dilma, aponta-se para o Bolsa Família. Apesar de infundadas, são diversas as críticas, de comprador de votos a ineficiente na redução das desigualdades, como em editorial do Estadão na semana passada.

O Bolsa Família é um programa que deu certo.

Derivado da junção de uma miríade de outros programas de transferência anteriores, o PBF buscou uma unificação de transferências estatais não contributivas e uma unificação dos diversos objetivos sociais. Assim o fez, formulado e aplicado em um alargamento sem precedentes do alcance das populações mais vulneráveis.

A regulamentação do PBF previu três eixos de ação:

1 – Complemento de renda: objetiva o alívio imediato da pobreza, combate à fome e promoção de segurança alimentar a partir de transferências monetárias diretas.

2 – Acesso a direitos: representado pelas condicionalidades do PBF, objetiva garantir o acesso aos direitos básicos de educação, saúde e assistência social.

3 – Articulação com outras políticas sociais: objetiva estimular o desenvolvimento das famílias, contribuindo para elas superarem a situação de vulnerabilidade e de pobreza.

E o Programa entrega o que promete. A um custo baixo, cerca de 0,45% do PIB brasileiro.

A transferência monetária é um mecanismo de garantia de renda à população mais pobre que não está inserida em outros meios de proteção contra a vulnerabilidade social – cuja importância já foi discutida aqui. O “dar dinheiro” assegura vários direitos básicos, entre eles, a garantia da segurança de renda e alimentar. Como dizia Betinho, “Quem tem fome, tem pressa”.

E, como resultado, em 2014 o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU – 16 anos antes do prazo estabelecido pela organização. Ainda, o Programa teve impactos comprovados na redução da desigualdade social: entre 2001 e 2008 13% da queda na desigualdade de renda foi causada pelas transferências do Bolsa Família.

O acompanhamento das condicionalidades é efetivo. Cerca de 13,5 milhões de beneficiários entre 6 e 17 anos tiveram a frequência escolar acompanhada mensalmente em 2017,  e cerca de 5,4 milhões de crianças beneficiárias tiveram a agenda de saúde acompanhada. Esse acompanhamento ocorre por meio de uma grande operação, internacionalmente reconhecida e estudada, que envolve, além do Ministério do Desenvolvimento Social, os Ministérios da Educação e Saúde, estados, municípios, CRAS, escolas e centros de saúde.

Os efeitos das condicionalidades foram comprovados por estudos nacionais e internacionais, que mostraram ser o PBF responsável por diversos efeitos positivos, dentre os quais queda na mortalidade infantil, aumento da matrícula escolar e redução da repetência escolar.

Em junção, transferência de renda e acesso a serviços básicos possibilita ao beneficiário buscar oportunidades de saída da sua condição de vulnerabilidade social.  Somente com a segurança alimentar e a segurança de que são detentores de direitos sociais básicos (saúde, educação e assistência social), a população pobre consegue acessar políticas que objetivam seu desenvolvimento social completo. Afinal, quem consegue aprender com fome? Quem concorre a um emprego com perspectiva de crescimento se precisa estar o dia na rua em busca de comida para a família?

Oportunidades de educação e trabalho passam, então, a ser possíveis para uma população que por tanto tempo as teve negadas. Políticas como o Pronatec, Acessuas Trabalho,  ProUni, cotas em universidades públicas para população de baixa renda e outras foram desenvolvidas e fomentadas nos últimos anos, objetivando um desenvolvimento social inclusivo, coordenado ao PBF. No entanto, há uma contínua desconsideração de suas existências por alguns críticos ao PBF. A famigerada “porta de saída” do Programa é sempre invisibilizada pelos opositores.

A luta contra a pobreza é multidisciplinar, não é trivial e demanda tempo. Não é possível resolver esse problema em um tempo inferior a uma geração. É necessário que uma população receba investimentos educacionais, de saúde, de oportunidades para que enfim consiga se livrar da vulnerabilidade de renda. A “simples” transferência de renda traz desenvolvimento social no médio prazo, pois significa comida, roupas, itens de higiene e conta de luz paga no curto prazo, para ser possível, então, se ocupar das novas oportunidades: da educação, do emprego, da renda estável e por fim, o da saída da pobreza.

 

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